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Mouseen (2014) – Jovem Palerosi

Padrão

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1. Sou Toda Nanuk (feat Axial)
2. Descanso de Terra/Elevador Low-Fi (feat Chico Correa e Eletronic Band)
3. Deuses Mutados (feat Independência ou Marte)
4. Hiperlúdio (feat M. Takara e Filipe Doranti)
5. Leste (feat Axial)
6. Painter Joe (feat Orquestra Experimental da UFSCar)
7. Pequeno Monte Mágico (feat. Constantina)

Jovem Palerosi é músico, produtor e dj, e acaba de lançar seu primeiro disco solo: o EP Mouseen. Jovem trabalha com música, produzindo, diivulgando, discotecando ou tocando desde o meio da década passada. O primeiro trabalho que realizou dentro da música, foi apresentando o programa Independência ou Marte (programa semanal da Rádio UFSCar voltado à música independente), que foi start pro EP, já que a música Deuses Mutados foi produzida a partir de samples de artistas que se apresentaram no programa durante o período que ele dividiu a frente do projgrama. Os samples dos artistas da música independente brasileira são o norte do disco, pois além da faixa Deuses Mutados, todas as outras músicas do disco dialogam e foram compostas a partir de recortes da produçôes recentes dos novos artistas da musica brasileira.

O EP desconstrói a música eletrônica, pela gênese das músicas, e pela estética que  expõe bem as nuâncias da música feita atualmente no Brasil.
Pra ouvir o Mouseen, clique aqui!

Fiz umas perguntas pro Jovem Palerosi, sobre o Mouseen, samples, música eletônica e outros trabalhos que ele realiza.

Boca Fechada: Como foi a produção do “Mouseen” e como é seu processo de composição?
Jovem Palerosi: O Mouseen nasceu de um laboratório de linguagem que venho me dedicando há algum tempo. Foi a junção de músicas que venho trabalhando dentro de um conceito de investigar a linguagem eletrônica e o universo de samples, descontrução e processamento, sem se prender a um estilo pré-determinado. Por isso o nome, que é a base da palavra música e mosaico. Cada música tem sua história particular, mas em geral, parto de fragmentos sonoros que tenham algum sentido para mim, por alguma ligação sensorial ou emocional. A maioria dos artistas que sampleei são parceiros que me influenciam de alguma forma. Acho que essas colaborações diretas ou indiretas foram os pontos de partida para encontrar motivações e me dedicar a esse processo de composição que não tem muita regra, é mais instintivo e empírico mesmo.

BF: O EP tem bastante texturas e samples, principalmente de bandas independentes brasileiras. Como foi a escolha dos artistas e dos samples de cada um; e como você vê esse debate dos samples e direitos autorais?
JP: Faz um bom tempo que tinha vontade de produzir músicas que utilizassem samples de diferentes músicas e artistas. Pra mim o processo de gravar, editar, recortar e processar faz tanto parte de uma composição quanto uma progressão melódica, a harmonia e o ritmo. A primeira música que produzi nesse conceito e entrou no disco chama Deuses Mutados, foi um desafio pessoal de samplear alguns artistas que tinham gravado no programa Independência ou Marte da Rádio UFSCar, que co-pilotei durante uns cinco anos.
Depois que consegui unir fontes tão diferentes em uma música nova percebi que esse processo poderia ir bem longe. Na verdade o programa, o trabalho na rádio e depois em coletivos foram uma grande escola para aprender e desenvolver meus conceitos em relação a cultura digital/cultura livre, acreditar no código aberto do processo todo.
A nossa geração já se formou com as possilidades infinitas da internet, pra mim é mais do que natural todos os conceitos serem revistos depois disso. O Creative Commons deveria ser o padrão hoje em dia, para incentivar todos terem acesso aos bens culturais sem restrição nenhuma, aí cada artista decide o que mais pode ser feito. As licenças dão muitas possibilidades, pra mim, quanto mais aberto os direitos, mais possibilidades vão ser criadas e consequentemente novas obras artísticas surgirão. O Mouseen é fruto disso diretamente, de artistas que já pensam a arte sob uma nova lógica, de deixar suas músicas abertas para serem modificadas. Grande parte das músicas surgiram de convites ou idéias de parceiros que me instigaram a produzir e foi interessante ter alguns desafios naturais do processo pra me instigar. Quem tiver interesse, no meu soundcloud tem a história específica de cada música do disco.

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BF: Você tem e já realizou outros trabalhos. Queria que falasse um pouco deles, como eles influenciaram o Mouseen, e se ele reflete nos outros trabalhos.
JP: A maioria dos artistas que conheço hoje em dia tem diferentes projetos. Acho que é quase um processo natural das formas de cada um se expressar e se manter renovado. No meu caso, nos últimos anos tenho me dedicado a algumas formas de expressão que estão em diálogo direto com algumas coisas que estão no Mouseen. A maior parte de meu trabalho nascem de idéias instrumentais, com alguma relação direta ou indireta com artes visuais, trilha sonora e narrativas sensoriais. Então todos eles se contaminam o tempo todo, pois estão em um mesmo fluxo.
A meneio por exemplo é uma banda instrumental, as composições possuem um outro processo, os shows também, mas por outro lado tem cada vez mais uma relação muito próxima com algumas sonoridades eletrônicas, samples e processamento.
O trabalho que tenho como DJ e as colaborações ao vivo com alguns parceiros que admiro muito como o Felipe Julián (DJ Craca/Axial) e o Chico Correa, que inclusive são sampleados no disco, também estão em diálogo com esta linguagem que está no Mouseen, é uma forma de se aprender constantemente com cada experiência.
E com certeza o trabalho de trilha sonora acaba estando presente de alguma forma. O som e imagem já estão conectados em nossa mente, acredito que seja intrínseco que as linguagens dialoguem. Ter feito a trilha do longa-metragem Delírios de um Cinemaníaco e outras experiências em curtas, por exemplo, abriu muitas possilidades em minha mente.
E acredito que a relação com as artes visuais influenciam tanto quanto as musicais, por isso todos esses trabalhos tem uma relação forte com o campo da imagem, seja dentro do conceito dos sons, na identidade visual, na relação com os VJs ao vivo, entre outras coisas.

BF. O disco foi lançado por um site japonês. Como foi essa história? Vai ser lançado somente em plataforma digital?
JP: Quando decidi que iria lançar um EP com essas produções que tinha feito nos últimos anos achei que seria necessário distribuir de alguma forma que tivesse sintonia com a forma que penso Nos últimos 10 anos surgiram diversos netlabels que trabalham em Creative Commons, distribuindo livremente as músicas como um pressuposto político/artístico, me identifiquei bastante com isso. Pesquisando algumas possilibidades gostei muito do trabalho da Bump Foot, que é um selo japonês. Eles tem uma curiosidade grande pela música brasileira contemporânea/eletrônica, o primeiro disco do Chico Correa por exemplo é o mais baixado por lá. Assim que terminei o disco enviei para eles e acharam que tinha a ver, depois agendaram a data para o lançamento, algo simples e direto, mas muito interessante porque diminui o caminho para um público grande que já se identifica com essas sonoridades. Gradualmente vou subindo em outras plataformas e deve ganhar formato físico também. Acho que a música não pode ter nenuma barreira pra chegar nos diferentes públicos, acho que esse é o grande desafio hoje em dia.

foto: Fran Rockita

foto: Fran Rockita

BF: Mouseen é um disco de música eletrônica. A música eletrônica é algo muito abrangente e bem segmentada em estilos, nomenclaturas, etc. O que você acha dessas classificações e vê sua música em alguma delas?
JP: Acho que dá pra classificar o Mouseen como um disco de música eletrônica principalmente pelo processo de produção que tem o computador como base na composição, além, é claro, de algumas sonoridades que ele tem. Acho interessante terem as nomeclaturas para se entender certos tipos de sons eletrônicos, muita gente produz tendo um estilo em mente, mas não foi meu caso. Apesar de ter influência de muitas coisas, não pensei muito sobre isso durante a produção de cada música e acho que não consigo classificar elas juntas em algum gênero pré-estabelecido.
Na real prefiro mais pensar sobre as sensações de cada música do que sobre como classificar elas. E por ser um processo remix mutante, ao vivo por exemplo alguns sons já mudaram bastante, o improviso e as possilidades de recombinação abrem muitas possibilidades.

Parte 2 (2013) – União Thia

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Ervinha1. O Planeta
2. Mesmo Tempo
3. Pureza
4. Fela
5. Eu
6. Sagrado
7. Festa na Mata

Aproveitando a semana de lançamento do meneio e última sessão da série Cabeças que fazem Cabeças, pensei em fazê-las dialogar pra chegar no disco de hoje. A estréia é o segundo e fresquinho disco do projeto solo e caseiro União Thia,  produzido e gravado pelo guitarrista e compositor Marco Nalesso – que foi quem pilotou por último a nave da sessão que estreamos a pouco por aqui, e que convida alguém ligado à música pra discorrer sobre um disco instrumental.  Marco toca em outros projetos instrumentais como o Marco Nalesso e a Fundação (que esteve em nossas linhas) e o recém criado Habitante, que deve soltar mais material em breve.

O União Thia é uma mistura pesada de música eletrônica feita pelas programações, samples e alguns instrumentos sintetizados, e orgânica, onde Marco tocou guitarra, baixo e algumas percussões. Toda essa mistura muito bem recheada com muita música negra psicodélica e esfumaçada: dub, funk, cumbia, reggae, afrobeat e outras tertúlias brasileiras. É um sincretismo já existente nos trabalhos que Nalesso tem com os outros projetos e que chegam unidos e com belo o peso aos nossos ouvidos.

Pra ouvir o Parte 2, clique aqui!
Recomenda-se fones de ouvido para degustação…

Segue um clipe da música Óruba, presente no primeiro disco do União Thia, e lançado no início do ano:

Cabeças que fazem Cabeças #3 – por Marco Nalesso

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Terceira sessão do Cabeças que fazem Cabeças, sempre convidando alguém ligado à música de alguma forma pra debulhar um álbum instrumental pra gente. Pra esse, convidamos o músico Marco Nalesso, natural de Santo André, e que conta com uma bela bagagem musical, seja fuçando (prefiro esse termo à pesquisador) e/ou desbravando discos e músicas pelo mundão real ou virtual; ou também somando em uma das várias bandas que toca ou colabora (coloque nessas várias, algumas ótimas instrumentais como Marco Nalesso e a Fundação e a recém criada Habitante), além de músico, colabora também como produtor.

Percebo muita semelhença nos gostos musicas entre nós; essa é uma das razões pra desenvolver a ideia de trazer convidados pra falar sobre um disco de sua escolha. Além disso, nós nunca (e felizmente!) conheceremos tudo da música, já que sua existência é enorme e as variações em que ela foi produzida não cessam.
A intenção do blogue sempre foi aguçar a curiosidade minha e das pessoas em conhecer música boa (mesmo isso sendo relativo à cada qual) e descobrir e me apaixonar ainda mais pela música. O disco escolhido pelo Marco Nalesso vai de encontro a isso, pois eu não conhecia a obra do artista escolhido por ele, e à primeira audição me deu mais vontade de fuçar, apenas fuçar…

The Planets (1976) – Isao Tomita

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Diretamente do planeta mais distante do universo, Isao Tomita, viajante e tripulante da nave mãe chama The Planets.
O disco foi lançado em 1976, todas as músicas são nomeadas de planetas e possuem orquestra de barulhos e efeitos, e programações universais onde qualquer chamado é vida nessa imensidão do universo.
O disco mostra uma historia passando por todos os planetas e neles há sempre uma mensagem: Isao captou momentos de euforia, alegria, tristeza, emoção e todos outros que passamos durante nossos dias aqui.

The Planets, são sete movimentos que Gustav Holst (1874, compositor inglês, arranjador e professor) compôs mais ou menos na época da Primeira Guerra Mundial. A intenção de Tomita parece ter sido feito sob ” idade do espaço “, versão da obra de Holst, tanto porque cada movimento representa um planeta (Marte ,Vênus Mercúrio, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno), nesta ordem:

1. Mars, the Bringer of War (Marte, Portão da Guerra)
2. Venus, the Bringer of Peace (Venus, Portão da Paz)
3. Mercury, the Winged Messenger (Mercúrio, o Mensageiro)
4. Jupiter, the Bringer of Jollity (Júpiter, Portão da Alegria)
5. Saturn, the Bringer of Old Age (Saturno, Portão dos Mais Velhos)
6. Uranus, the Magician (Urano, o Mágico)
7. Neptune, the Mystic (Netuno, o Místico)

Isao Tomita lançou mais de 20 discos e participou de diversas trilhas sonoras para filmes futuristas; FUTURISMO defini muito todo trabalho do mestre das teclas. Ouvindo o disco você consegue imaginar e sentir todos os ambientes inexplorados por Tomita.
Um belo desenho na capa do disco, uma espaço nave com um habitante descendo pela luz clara e amarela sobre a imensidão escura do nosso universo.

A aproximação de Tomita e Holst vale mais como uma exploração das possibilidades da música eletrônica; trabalhando em recursos de música clássica e adaptando-a às possibilidades do sintetizador, não tendo o poder militar de um orquestra sinfônica para desencadear o inferno necessário nos ouvidos da platéia.

Pra ouvir o disco, clique aqui! Boa viagem amigos….

Peregrino (2012) – Projeto CCOMA

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folder1. Grand Bazzan
2. Milonga para los perros
3. Xangô é Rei
4. Bukowina
5. Iracino y Cerevita
6. Amazonica Fever
7. Cosmopolita
8. Caminho do Meio
9. Partido Alto-Canhoteiro
10. Música Surda

Peregrino saiu ano passado e figurou em algumas listas de melhores álbuns de 2012 e trata-se do último disco do Projeto CCOMA. Originários do Rio Grande do Sul, mais precisamente da cidade de Caxias do Sul,o Projeto CCOMA existe desde 2004, é formado pelo duo Roberto Scopel (trompete) e pelo percussionosta Swami Sagara e considerando um projeto como future jazz, pois une o ritmo originalmente norte americano à experimentaçòes rítmicas.

O disco é uma grande mistura de ritmos mundiais, aliados à genuína música eletrônica.  Percebemos no álbum ritmos latinos como o tango e cumbia andina; brasileiros, como maracatu, baião e forróç a música feita no extremo norte da Europa e elementos da música negra, seja ela americana, como o rock ou próprio jazz ou africana, seja do norte do continente ou subsaariana. O disco conta com várias participações de nomes de peso da música popular brasileira como Di Melo, o Imorrível na faixa “Xangô é Rei” e Zeca Baleiro.
Belo disco lançado no outono do ano que não acabou, e pra ouvi-lo, basta clicar aqui e apreciar Peregrino, que foi disponibilizado pra download pelo próprio grupo.

Uma das músicas do disco, “Cosmopolita” (que teve a participação de Baleiro), acaba de ganhar um belo clipe, lançado hoje:

Conta (2007) – M. Takara

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1. Umas
2. Espanhola triste
3. Canta
4. Eu não (para Carlos Dias)
5. Sua sobra na calçada
6. Tudo é muito bonito, mas
7. Interlúdio azul
8. Rô e Jú
9. Meu mundo numa quadra

Maurício Takara já passeou por aqui várias vezes; no Hurtmold, São Paulo Underground ou outro projeto em que colaborou ou participou; mas essa é a primeira vez que dá as caras com um dos seus discos “solo”. Sobre a alcunha de M. Takara, Conta é o terceiro disco de um dos músicos mais ativos da cena paulistana e brasileira atual. Lançado em 2007, pelo selo Desmonta, onde o próprio é parceiro de Luciano Valério nos lançamentos, pode ser entendido como um elo entre os discos anteriores ao Conta, e aos que saíram depois dele, já como M. Takara 3.

Os primeiros discos de M. Takara – de 2003 e 2005, são menos experimentais e mais eletrônicos, criando um ambiente próximo ao lounge. Já os trabalhos mais recentes, continuam explorando os beats e efeitos sintetizados, mas somando com mais organicidade às músicas, utilizando mais percussões e bateria. Conta parece unir os trabalhos do início e os de agora, pois nele, conversam a música digital mais branda, com as experimentações e organicidade que dão o tom de Ocupado como gado com nada pra fazer de 2008 e Sobre toda e qualquer coisa, de 2010.
Pra ouvi-lo, clique aqui!

Mental Surf (2012) – Psilosamples

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1. Eterna criança do mato
2. Ovelha Negra
3. Estrada da terra
4. Coração de Urtiga (Interlúdio)
5. O príncipe da roça
6. Bom dia menina pelada!
7. Meteorango Kid
8. Ok, Zé da Roça
9. RÁleluia (Bonus Track)

Recentemente lançado, Mental Surf  é o mais recente trabalho de Zé Rolê, ou simplesmente Psilosamples. O disco, vazado no início do ano é uma obra da música eletrônica brasileiraDiferentemente da música eletrônica que estamos acostumados a ouvir, Mental Surf é fincado em solo brasileiro, com suas raízes passando pelo chão do interior de Minas Gerais, terra do Zé; percebemos isso nos samples e nos nomes das músicas.

Mesmo eletrônico, é um disco  muitas vezes na intimista, pois nota-se um belo trabalho de escolha de beats, timbres e “finesse” na pós-produção. Dá pra se ouvir na balada também, mas os detalhes e nuances, por vezes, te prende a um eletrônico mais intimista. Confira esse belo trabalho do Psilosamples, ou Zé Role, que esse ano, está escalado pra se apresentar na edição brasileira do festival Sonár.