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Hermeto (1972) – Hermeto Pascoal

Padrão

Faixas

1. Coalhada
2. Hermeto
3. Guizos
4. Flor Do Amor (Jose Neto Pascoal)
5. Alicate
6. Velório
7. As Marianas
8. Fabiula

Músicos

Joe Farrell, Jerry Dodgion, Arthur Clarke, Hubert Laws, Maurice Smith, Harold Jones, Leon Cohen, Jerome Richardson – woodwinds
Garnet Brown, Wayne Andre, Jack Jeffers, Richard Hixson – trombones
Thad Jones, Joe Newman, Gene Young, Ernie Royal, Melvin Davis – trompetes
Don Butterfield – tuba
Ron Carter – baixo
Airto Moreira – percussão, bateria
Flora Purim – vocal

Download: Clique aqui

Nascido em 1936, no interior de Alagoas, Hermeto Pascoal começou sua vida musical tocando uma sanfona de oito baixos. Aos onze anos já tocava num “conjunto de baile”, junto com o irmão. Enveredou pelo multi-instrumentismo, aprendendo a tocar flauta, sax, clarinete, sempre auto-didata.

Em meados da década de 60, passou temporadas no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde integrou o Quarteto Novo (junto de Theo de Barros, Heraldo do Monte e Airto Moreira) durante três anos. À essa época, grava participações em discos de diversos artistas, como Bobby Mackay, Airto Moreira e Flora Purim. Em 1972, grava seu primeiro disco “solo” (na verdade acompanhado de uma orquestra), “Hermeto”, lançado nos EUA. Somente no ano seguinte lança seu primeiro LP em terras brasileiras, no qual inclui versões para “Carinhoso” e “Asa Branca”. Desiludido com o tratamento dispensado pela crítica e gravadoras daqui, parte em extensa turnê pela Europa e EUA. Na volta ao Brasil, monta grupo com irmãos e amigos, gravando somente por um selo independente. Em 1977, muda-se para casa em Jabour, subúrbio do Rio de Janeiro, com amplo espaço para dar vazão a seu experimentalismo. É dessa época “O Grupo”, que ensaiava (e compunha) diariamente na casa e que durou boa parte da década de 80. Posteriormente, compõe um “anuário musical”, com a intenção de “homenagear todos os aniversariantes do mundo, indistintamente”; uma música para cada dia do ano, manuscritas independente de onde estivesse.

O disco que posto aqui é o de 1972, “Hermeto”. Percebo aqui uma abordagem jazzística, de temas e solos, que deve ter facilitado a introdução do disco na América do Norte. Não que seja um disco de “easy listening”; o álbum traz, por exemplo, uma peça experimental (“Velório”) recheada de vozes e murmúrios, rabeca e pífano, explicitando referências nordestinas. Além disso, os arranjos de Hermeto transformam qualquer estrutura melódica previsível em motivo pra experimentar e modificar. O uso da voz dá-se apenas como mais um belo elemento instrumental, como em “Guizos”.

Hermeto liberou, recentemente, o uso de qualquer canção sua e, junto de sua companheira, Aline Morena, começou a saga de disponibilizar toda sua obra para download.

O tal anuário musical encontra-se, para visualização parcial, aqui. O espaço oficial do Hermeto na internet é esse. Um artigo acadêmico sobre Hermeto e, mais especificamente, sobre a casa em Jabour, você pode ler aqui. E uma esclarecedora entrevista com Jovino Santos Neto, membro d’O Grupo, encontra-se aqui (em inglês).

O arquivo vem com as capas das diversas edições do disco, além de um .doc com alguns textos e informações. Retirado originalmente do blog Abracadabra – LPs do Brasil 2, com ligeiras modificações.


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