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A Bad Donato – João Donato (1970)

Padrão

capa

1 – The Frog

2 – Celestial Showers

3 – Bambu

4 – Lunar Tune

5 – Cadê Jodel? (The Beautiful One)

6 – Debutante’s Ball

7 – Straight Jacket

8 – Mosquito (Fly)

9 – Almas Irmãs

10 – Malandro

Essa é uma obra fantástica . O disco “A Bad Donato” é o que o nome mesmo está dizendo, um João Donato mal, com um som pesado, fudido. Arrebentou consigo mesmo, com a bossa que fazia só pra gringo ver. Musicalemente e estéticamente o disco faz juz a seu título. Lançado originalmente em 1970, foi concebido posteriormente à Donato se deslumbrar com o jazz-rock, e ter ouvido muito Hendrix e chacoalhado ao som James Brown. Nunca foi lançado no Brasil e agora tem mais fama de maldito do que seu criador, e ainda bem que é. Um maldito, bendito…..

O disco tem um detalhe que o diferencia e muito. Detalhe que saiu da cabeça de Donato. Gravar tudo em dobro: guitarra, trompete, bateria, trombone, piano e para gravar esses instrumentos, se liguem no time que ele chamou. (apenas amigos que Donato tinha desde 1959 (época que se mudou para os EUA)): Ernie Watts no sax, Bud Shank na flauta, Jimmy Zito no trompete, Don Meza no clarinete, o mestre Dom Um Romão na bateria e Oscar Castro Neves no viloão. Eumir Deodato também foi chamado para arranjar o disco….caramba!!

O disco é uma pedra de jazz-rock/bossa-psicodélica que preenche os ouvidos e influenciou uma série de músicos importantíssimos como modelo para um jazz-rock swingado. Dom Um Romão, Airto Moreira, Eumir Deodato, Raul de Souza, Stanley Clark, todos beberam em “A Bad Donato” em composições futuras. E que bom!!!

Baixe essa obra magnífica e prepare os ouvidos……

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Jacarandá (1973) – Luiz Bonfá

Padrão

Folder01 – Apache Talk
02 – Jacarandá
03 – Gentle Rain
04 – You Or Not To Be
05 – Strange Message
06 – Dom Quixote
07 – Song Thoughts
08 – Danse V
09 – Empty Room
10 – Sun Flower

Aqui está uma pérola que encontrei no Só Pedrada Musical; A qualidade sonora é impressionante. Também, pudera – o time dos caras é violento. Cito aqui o Pedrada:

Luiz Bonfá gravando em Los Angeles, no ano de 1973. Com arranjos de Eumir Deodato em seu melhor momento. E com um time de arrepiar. Se liga só: Stanley Clarke (baixo), Idris Muhammad (bateria), Airto Moreira (percussão), Ray Barreto (congas), entre outros mestres do jazz-funk-bossa.

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Colors (1974) – Raul de Souza

Padrão

raul de souza - colors

Faixas

01. Nana   (Santos-Telles)

02. Canto de Ossanha   (DeMoraes-Baden Powell)

03. Water Buffalo   (Raul De Souza)

04. Dr. Honoris Causa   (Joe Zawinul)

05. Festival   (Jack DeJohnette)

06. Crystal Silence  (Chick corea)

07. Chants To Burn  (Barry Finnerty)

Músicos

Raul de Souza – trombone e percussão

Ted Lo – teclados

Richard Davis – baixo

Jack Dejohnette – bateria

Kenneth Nash e Airto Moreira – percussão

Snooky Young, Oscar Brashear, Geroge Bohanon, Don Waldrop, Jerome Richardson, Sahib Shihab – naipe de sopros

Cannonball Adderley – alto sax (participação nas faixas 2 e 7)

J.J. Johnson – arranjo de sopros

Produzido por Airto Moreira, Colors foi o primeiro disco de Raul de Souza a ser lançado nos EUA.  Segue texto de  Roberto Muggiati presente no myspace do artista, reproduzido na íntegra.

A BOSSA ETERNA DE RAUL DE SOUZA (75 anos de vida, 55 de carreira)

Minibiografia em forma de improviso

ROBERTO MUGGIATI

A aversão do Raul a biografias suas que começam com o clichê “nasceu-em-Campo-Grande-cresceu-em-Bangu” lembra a bronca do arquirrebelde da nossa época, Holden Caulfield, em O Apanhador no campo de centeio: “Se querem realmente saber a respeito, a primeira coisa que provavelmente vão querer saber é onde nasci, e como foi a desgraçada da minha infância, o que meus pais faziam antes de me terem, e toda aquela baboseira tipo David Copperfield, mas não estou afim disso, se querem saber a verdade.” Raul é da geração dos Caufields, os rebeldes-sem-causa que adolesceram no pós-guerra e logo viram — ele com seus olhos de sábio chinês — que o mundo estava cada vez mais errado. E que providência tomou? Não saiu por aí fazendo discursos nem política, apenas botou a boca no trombone. O trombone — que surgiu na Europa lá pelos 1400s com o nome de sacabucha — é um instrumento rouco e grave, como a voz do Raul. Se o trombone não existisse, Raul o teria inventado. Aliás, inventou um trombone, que leva o seu nome: o Souzabone, com quatro válvulas, um aperfeiçoamento do trombone de três válvulas que tocou na primeira década de carreira, antes de adotar o trombone de vara. Sempre com uma ideia na cabeça: “A música é o real alimento da alma.”

O Raulzinho dos primeiros anos foi um Holden Caufield. Para o Raul de Souza de hoje vou propor outro personagem: o Benjamin Button, criado por Scott Fitzgerald em 1921, e agora encarnado na tela por Brad Pitt. Este insólito Button nasce já com 75 anos — a idade atual do Raul — e vai ficando mais moço a cada ano, refazendo sua vida às avessas. Para evitar um perfil linear — a música do Raul é tudo menos linear — vamos caminhar então para o passado, até quando o nosso herói nasce, finalmente, em Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro, filho de um pastor evangélico, crescendo em Bangu, onde aprende bumbo, pandeiro, caixa e prato e, aos 16 anos, passa a tocar tuba na banda da fábrica de tecidos famosa. Surreal não é? Mas existe coisa mais surreal do que o Raulzinho que conheci há 50 anos em Curitiba, envergando a farda azul da Aeronáutica? Sempre com o trombone debaixo do braço, à procura de almas irmãs na noite fria, juntando-se à turma da Gazeta do Povo, ao contista Dalton Trevisan e ao futuro cineasta Sylvio Back, para quem Raul (com o pianista Guilherme Vergueiro, só trombone e piano) faria a trilha do filme Lost Zweig, em 2002. Querem coisa mais surreal do que o Raul singrando de pedalinho um lago do Passeio Público, trombone em punho, fazendo serenata para um búfalo aquático?

Tive a felicidade de presenciar o momento exato do rejuvenescimento de Raul em dezembro de 2008, na turnê Circular BR, em que tocou com o trio do gaitista Gabriel Grossi. Assisti à metade dos seis shows: o primeiro no Rio, o segundo em Curitiba (onde eu lançava o livro Improvisando soluções, que dedica um capítulo a Raul), e o último em Niterói. Ele talvez tenha começado a rejuvenescer uma semana antes, no Sarau da Pedra, na Urca, onde lançou seu CD Bossa eterna com o João Donato. Viajando um pouco no tempo, também poderia ter sido na turnê de lançamento do CD Jazzmim, com os musicos Jeff Sabagg ( teclados) , Glauco Solter ( baixo), Endrigo Bettega ( bateria) e Mario Conde ( guitarra) . Quatro jovens de Curitiba que Raul conheceu no Chivas Jazz Festival de 2004 e adotou como filhos, fazendo questão que o acompanhassem até num festival na Ilha da Reunião, nas lonjuras do Oceano Índico. (Muito forte essa ligação de Raul com Curitiba, que o marcou nos seis anos (1958-63) que lá passou, casou e fez filhos e amigos.

Vamos zonear de vez a cronologia. Verão de 1964: morando em Londres, de férias no Rio, revejo Raul no Beco da Garrafas, com o sexteto de Sérgio Mendes, que o levaria pela primeira vez ao exterior. Tomou gosto pelas viagens ao exterior e, depois de gravar seu primeiro LP como solista, À vontade mesmo, voltou à Europa, onde tocou no Blue Note de Paris com o famoso baterista do bebop, Kenny Clarke. Em 1967, Raul está tão cotado que ingressa no RC-7, a banda que acompanha Roberto Carlos, e chega a aparecer no filme do “Rei”, Em ritmo de aventura. Funda o grupo instrumental Impacto 8 e grava mais um disco. Parte para o México com o SamBrasil. Em 1973, faz uma turnê pelos Estados Unidos com Airto Moreira e Flora Purim. Nesse ano, Airto produz Colors, o primeiro álbum americano de Raul, pelo selo de jazz Milestone, arranjado pelo mestre trombonista J.J. Johnson, com as participações do saxofonista Cannonball Adderley e do baterista Jack DeJohnette. A partir daí é a consagração e o reconhecimento da sua arte, com o lançamento de três albuns que fazem o seu nome na América (Sweet Lucy, 1977; Don’t Ask My Neighbours, 1978; Till Tomorrow Comes, 1978), na intimidade com gigantes do jazz como Sonny Rollins, George Duke, Sarah Vaughan, Cal Tjader, Freddie Hubbard, Hubert Laws e um de seus trombonistas favoritos da juventude, Frank Rosolino. (Raul se apresentaria em dueto com ele no Festival de Jazz de São Paulo de 1978, pouco antes da trágica morte de Rosolino.)

A consagração maior nos anos 1970 é a inserção do seu nome em The Encyclopedia of Jazz in the Seventies, dos críticos Leonard Feather e Ira Gitler, com direito a foto ostentando uma cabeleira afro, e ao verbete de 21 linhas, DE SOUZA, JOÃO JOSÉ PEREIRA (RAUL), com a data de nascimento correta, 23/8/1934. João José? O nome artístico foi dado por Ary Barroso, em cujos programas de calouros ele brilhava: “João José não é nome de trombonista. Já temos o Raulzão (Raul de Barros). Você vai ser o Raulzinho.”

O coração sempre falou mais alto na vida do Raul. Em 1980, veio ao Brasil com uma banda de all stars para o Festival Rio-Monterey no Maracanãzinho e, uma vez mais, sentiu o calor do reconhecimento de seus conterrâneos. Divorciado da mulher americana em 1986, voltou ao Brasil. Um álbum mediano de 1993, The Other Side of the Moon (em que toca saxofones alto e tenor e dá até uma de crooner cantando Abraço vazio) é plenamente compensado pelo jazzístico Rio, de 1998, em que reedita, com o trombonista Conrad Herwig, os fabulosos duetos do duo J.J.&K (J.J. Johnson e Kai Winding) nos anos 1950.

O fim do século e do milênio propiciam outra mudança de coração. O encontro com Yolaine leva Raul para Paris, onde forma uma banda familiar, fazendo mais ou menos o que Miles Davis tentou em sua fase final: um jazz mais descontraído numa atmosfera pós-fusão, ou neo-fusão. Nesta viagem em ziguezague pelo tempo — como nos filmes da série De volta para o futuro — não podemos deixar de visitar o fascinante Elixir, de 2004, em que Raul faz na última faixa, Terra, uma declaração de amor ao Brasil, “terra de samba e pandeiro”, antes de embarcar num dionisíaco solo de trombone de seis minutos que é uma autêntica síntese de sua arte — bela, apaixonada e complexa. Impossível rotular sua música. Samba? Choro? Jazz? Talvez um samba mitológico, dentro da sua cabeça (como aquele dentro da cabeça de João Gilberto), uma espécie de jazzfieira, ele que gravou pela primeira vez com Altamiro Carrilho e a Turma da Gafieira. Ou, atando as duas pontas da sua carreira fonográfica, e incorporando o verdadeiro achado que é o título de seu último CD — e da sua composição que abre o disco — a Bossa Eterna de Raul de Souza.

myspace

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Summit (Reunion Cumbre) (1974) – Gerry Mulligan & Astor Piazzolla

Padrão

gerry-mulligan-astor-piazzolla-tango-nuevo-1

*Existem diversas versões dessa gravação, com diferentes encartes, o presente aparece com o nome “Tango Nuevo”

1. Twenty Years Ago  (Hace Veinte Años )
2. Close Your Eyes And Listen (Cierra Tus Ojos y Escucha )
3. Years Of Solitude (Años de Soledad )
4. Deus Xango (Deus Xango)
5. Twenty Years After (Veinte Años Después )
6. Aire De Buenos Aires (Aire de Buenos Aires)
7. Reminiscence (Reminiscencia )
8. Summit (Reunión Cumbre)

Astor Piazzolla: bandoneón; Gerry Mulligan: sax barítono; Angel ‘Pocho’ Gatti: teclados, Tullio De Piscopo: percussão, Giuseppe Prestipino: baixo elétrico; Alberto Baldan e Giani Ziloli: marimba; Filippo Dacco e Bruno De Filippi: guitarra; Umberto Benedetti Michelangeli: violino; Renato Riccio: viola; Ennio Miori: cello.

Ástor Pantaleón Piazzolla e Gerry Mulligan (e seu conjunto) se unem nesse experimento absurdamente expressivo,com grande precisão entre todos os instrumentos, que traz fortes características do jazz , assim como do tango (que se percebem mais na abstração, no sentido do som).A atmosfera criada pelo som do bandoneón de Piazzolla e do sax barítono de Gerry Mulligan é unica…

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Hermeto (1972) – Hermeto Pascoal

Padrão

Faixas

1. Coalhada
2. Hermeto
3. Guizos
4. Flor Do Amor (Jose Neto Pascoal)
5. Alicate
6. Velório
7. As Marianas
8. Fabiula

Músicos

Joe Farrell, Jerry Dodgion, Arthur Clarke, Hubert Laws, Maurice Smith, Harold Jones, Leon Cohen, Jerome Richardson – woodwinds
Garnet Brown, Wayne Andre, Jack Jeffers, Richard Hixson – trombones
Thad Jones, Joe Newman, Gene Young, Ernie Royal, Melvin Davis – trompetes
Don Butterfield – tuba
Ron Carter – baixo
Airto Moreira – percussão, bateria
Flora Purim – vocal

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Nascido em 1936, no interior de Alagoas, Hermeto Pascoal começou sua vida musical tocando uma sanfona de oito baixos. Aos onze anos já tocava num “conjunto de baile”, junto com o irmão. Enveredou pelo multi-instrumentismo, aprendendo a tocar flauta, sax, clarinete, sempre auto-didata.

Em meados da década de 60, passou temporadas no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde integrou o Quarteto Novo (junto de Theo de Barros, Heraldo do Monte e Airto Moreira) durante três anos. À essa época, grava participações em discos de diversos artistas, como Bobby Mackay, Airto Moreira e Flora Purim. Em 1972, grava seu primeiro disco “solo” (na verdade acompanhado de uma orquestra), “Hermeto”, lançado nos EUA. Somente no ano seguinte lança seu primeiro LP em terras brasileiras, no qual inclui versões para “Carinhoso” e “Asa Branca”. Desiludido com o tratamento dispensado pela crítica e gravadoras daqui, parte em extensa turnê pela Europa e EUA. Na volta ao Brasil, monta grupo com irmãos e amigos, gravando somente por um selo independente. Em 1977, muda-se para casa em Jabour, subúrbio do Rio de Janeiro, com amplo espaço para dar vazão a seu experimentalismo. É dessa época “O Grupo”, que ensaiava (e compunha) diariamente na casa e que durou boa parte da década de 80. Posteriormente, compõe um “anuário musical”, com a intenção de “homenagear todos os aniversariantes do mundo, indistintamente”; uma música para cada dia do ano, manuscritas independente de onde estivesse.

O disco que posto aqui é o de 1972, “Hermeto”. Percebo aqui uma abordagem jazzística, de temas e solos, que deve ter facilitado a introdução do disco na América do Norte. Não que seja um disco de “easy listening”; o álbum traz, por exemplo, uma peça experimental (“Velório”) recheada de vozes e murmúrios, rabeca e pífano, explicitando referências nordestinas. Além disso, os arranjos de Hermeto transformam qualquer estrutura melódica previsível em motivo pra experimentar e modificar. O uso da voz dá-se apenas como mais um belo elemento instrumental, como em “Guizos”.

Hermeto liberou, recentemente, o uso de qualquer canção sua e, junto de sua companheira, Aline Morena, começou a saga de disponibilizar toda sua obra para download.

O tal anuário musical encontra-se, para visualização parcial, aqui. O espaço oficial do Hermeto na internet é esse. Um artigo acadêmico sobre Hermeto e, mais especificamente, sobre a casa em Jabour, você pode ler aqui. E uma esclarecedora entrevista com Jovino Santos Neto, membro d’O Grupo, encontra-se aqui (em inglês).

O arquivo vem com as capas das diversas edições do disco, além de um .doc com alguns textos e informações. Retirado originalmente do blog Abracadabra – LPs do Brasil 2, com ligeiras modificações.