Arquivo da categoria: Funk

CaladoNovo#3 – Bexigão de Pedra

Padrão

Bexigões

Hiato de duas semanas passado, continuemos com o mote da última postagem, a segunda sessão do CaladoNovo, que trás bandas instrumentais ainda sem registro fonográfico. Dessa vez uma banda que vi nascer em São Carlos, interior de São Paulo: o Bexigão de Pedra, quarteto de amigos que se conheceram cursando Imagem e Som  na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Como a maioria da bandas, começaram a fazer um som sem pretensão alguma, e disso surgiram as primeiras composições.

Os caras tinham dado um tempo desde o meio do ano passado, e recentemente voltaram à ativa com o vídeo que segue. Antes dessa parada estavam produzindo seu primeiro registro, um EP, e acredito que nessa retomada o projeto volte a caminhar. O som do Bexigão de Pedra é calcado no rock psicodélico setentista, misturado ao funk e ritmos brasileiros. A banda tem em sua formação: Cauã Ogushi (guitarra), Subaco Subacowiski (guitarra), Filipe Marreco (baixo) e Victor de la Rosa (bateria). O vídeo que segue, com a música Tute Nostre, faz parte do projeto Porão Sessions, projeto da Pé de Macaco, produtora audiovisual independente também de São Carlos.

Boom! (2011) – Boom Project Band

Padrão

Capa

1. Intro B
2. Boom!
3. Reloginho Safado
4. O Último Trago de Schulz
5. Lobo na Água
6. Purgatório
7. Coisas
8. Indiferente, Groove
9. Dedo Cortado

Boom! é o primeiro (e até agora único) disco da banda paulistana Booom Project Band, formada em 2010 por Chico Leibholz (bateria), Rodrigo Fonseca (baixo), André Zaccarelii (guitarra) e Rosana Oliveira (trompete), e que possui como ideia sonora misturar diferente trilhas instrumentais do funk e da surf music, recebendo carinhosamente pela banda a alcunha de “Surfunk”. Esse sincretismo é notado principalmente pela junção de um baixo funkeado com linhas de guitarra da surf music e do rock setentista.

Além dos dois principais ritmos que conduzem a sonoridade da banda, outros se mostram nas composições de Boom!, como por exemplo na faixa O Último Trago de Schulz, onde a guitarra antes do tema surf que conduz a música como um todo, discorre com competência em melodias simnpatizantes com o jazz africano e ritmos latinos como o bolero. Esse sincretismo sonoro da Boom Project Band é certeiro, principalmente relativo à surf music, ritmo mais ortodoxo e menos passível de mistura, e que na sonoridade da banda é desconstruído e remexido por ritmos mais suingados.

Para ouvir Boom!, clique aqui!

Parte 2 (2013) – União Thia

Padrão

Ervinha1. O Planeta
2. Mesmo Tempo
3. Pureza
4. Fela
5. Eu
6. Sagrado
7. Festa na Mata

Aproveitando a semana de lançamento do meneio e última sessão da série Cabeças que fazem Cabeças, pensei em fazê-las dialogar pra chegar no disco de hoje. A estréia é o segundo e fresquinho disco do projeto solo e caseiro União Thia,  produzido e gravado pelo guitarrista e compositor Marco Nalesso – que foi quem pilotou por último a nave da sessão que estreamos a pouco por aqui, e que convida alguém ligado à música pra discorrer sobre um disco instrumental.  Marco toca em outros projetos instrumentais como o Marco Nalesso e a Fundação (que esteve em nossas linhas) e o recém criado Habitante, que deve soltar mais material em breve.

O União Thia é uma mistura pesada de música eletrônica feita pelas programações, samples e alguns instrumentos sintetizados, e orgânica, onde Marco tocou guitarra, baixo e algumas percussões. Toda essa mistura muito bem recheada com muita música negra psicodélica e esfumaçada: dub, funk, cumbia, reggae, afrobeat e outras tertúlias brasileiras. É um sincretismo já existente nos trabalhos que Nalesso tem com os outros projetos e que chegam unidos e com belo o peso aos nossos ouvidos.

Pra ouvir o Parte 2, clique aqui!
Recomenda-se fones de ouvido para degustação…

Segue um clipe da música Óruba, presente no primeiro disco do União Thia, e lançado no início do ano:

On the Corner (1972) – Miles Davis

Padrão

Capa

1. On the Corner
2. New York Girl
3. Thinkin’ One Thing And Doin’ Another
4. Vote For Miles
5. Black Satin
6. Onde and Onde
7. Helen Butte
8. Mr. Freedom X

Decididamente um dos discos mais polêmicos da história do jazz é On The Corner, cria de um dos músicos mais excêntricos, genias e incompreendidos do ritmo negro nascido na América do Norte. Lançado em 1972, essa obra de Miles Davis à época de seu lançamento, foi amplamente criticada por jornalistas, fãs e músicos do jazz, graças à grande novidade e mistura para que a música de Miles apontava. No fim da década de 60, Miles teve contato com a música de Jimi Hendrix e a partir daí seu jazz eletrificou-se e foi alçado a diálogos com sintetizadores, pedais de efeito, instrumentos eletrônicos, a música contemporânea de Stockhausen e o funk, ritmo recém nascido no final da década de 60.

On The Corner é uma grande jam de músicos fudidos. Entre eles: Chick Corea, Herbie Hanconk John MachLaughlin, também responsáveis por eletrificar o jazz. Ao dar play nessa grande obra, recebemos um grande murro no queixo. O disco começa com quatro músicas que na verdade são apenas uma pedrada: On the CornerNew York GirlThinkin’ One Thing And Doin’ AnotherVote For Miles, e nessa linha segue em todos seus 50 minutos. Grande parte dos críticos, dizia que o disco era repetitivo, esquisito e não significava nada. Na verdade, o que Miles fez, foi não repetir a forma em que jazz caminhava há muitas décadas, dando à ele um novo conceito e estética musical.
Pra baixar essa pedrada, clique aqui!

Com Muito Ritmo (1972) – Boogaloo Combo

Padrão

front

 

1.Nappy Head (tema de “Guetto Man”)
2.Ain’t That Loving You (for more reasons than one)
3.Way Back Home
4.Ebony Eyes
5.Goza Negra
6.Theme From The Music Lovers
7.Hot Pants Road
8.Put It Where You Want It
9.Suavecito
10.Rock And Roll Lullaby
11.Un Rayo de Sol
12.If You Could Read My Mind

Para finalizar muito bem o ano, mais uma raridade da música brasileira pintando no pedaço. Com muito Ritmo, de 1972,  é o segundo de três discos lançados pela banda Boogaloo Combo. O álbum é uma mistura de música latina, soul, funk com uma certa dose de romantismo. É música de gente grande, daqueles discos pra ouvir e sair bailando! Só clicar aqui e mexer o esqueleto!

Habiba (1974) – Kirk Lightsey and Rudolph Johnson with the All Stars

Padrão

 

1.Habiba (Kirk Lightsey)
2.Here It Is (Rudolph Johnson)
3.Fresh Air (Kirk Lightsey)

Outra pedra rara no Boca Fechada! Belíssimo disco do pianista norte americano Kirk Lightsey junto com Rudolph Johnson. Durante o ano de 1974, o cantor Lovelace Wattkins, conhecido também como “black Sinatra” excursionou pela África do Sul, levando consigo vários músicos do jazz. Neste período, além de acompanhar o cantor, os músicos tiveram várias oportunidades de tocar e gravar seus trabalhos. Habiba  foi um dos discos gravados, com Kirk Lightsey (Teclado), Rudolph Johnson (saxofone e flauta), Johnny Boshoff (baixo), Curtis Kirk (Bateria), Charles Mallory (Guitarra), All Hall Jr. (Trombone), Delbert Hill (clarinete) e Danny Cortez (Trompete). Sonzera! Para ouvir, só clicar aqui!

Compacto 7″ (1972) – Airto Fogo

Padrão

1. Jungle Bird
2. Black Soul

Ainda não sabemos quem realmente é Airto Fogo; se o grande arranjador curitibano Waltel Blanco, ou o baterista frânces, Sylvian Krief. Dúvidas, estórias e mitos em torno da figura, aumentam à cada descoberta da obra fantástica deixada por esse “pseudônimo”. Esse compacto de 7 polegadas, lançado em 1972 vem na mesma linha do já postado aqui, Somatória do Barulho, de 1976. Um jazz funk com groove pesado e belos arranjos que lembram os mestres David Axerold e Idris Muhammad. Detalhe para a música Black Soul, que fez parte da trilha sonora internacional da novela “Cuca Legal”, de 1975.

Pra sentir e ouvir esse peso, clique aqui!