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Entrevista – Onda Instrumental

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Onda Instrumental

O Onda Instrumental é um projeto desenvolvido e voltado para música instrumental; começou suas atividades em maio, realizando shows de bandas instrumentais, primeiramente na cidade de São Paulo (com ideia de expansão para outras cidades), e fizeram até o momento quatro eventos, todos realizadas no Puxadinho da Praça, espaço bem legal localizado na Vila Madalena.
A ideia partiu dos músicos do Chimpanzé Clube Trio, power trio,  com mais de dez anos de carreira, que viu a necessidade de realizar um evento pra divulgar a música instrumental, já que nos últimos anos tem surgido muitas bandas da música sem palavras. No próximo sábado, em sua quinta edição, o projeto aporta em outro endereço, estreando a ideia nos palcos da Serralheria, uma das casas mais bacanas de São Paulo, voltada à música independente.

Troquei uma ideia com Felipe Crocco, um dos idelaizadores e produtores do Onda Instrumental e também integrante do Chimpanzé Clube Trio.

Boca Fechada: Como surgiu a ideia do Onda Instrumental? Quem e porque capitaneou o projeto?

Onda Instrumental: Desde o fim do ano passado (2013) vinhamos conversando sobre fazer uma ação coletiva entre bandas. Pensamos em tocar na rua ou juntar algumas bandas pra fazer um festival mas queríamos algo que fosse mais permanente e não apenas alguns eventos isolados. A partir de algumas conversas com programadores de casas de show de música autoral, rolou a ideia de fazer uma parceria não só com as bandas autorais mas também com as casas que apoiam essa cena. Combinamos uma data mensal com o pessoal do Puxadinho da Praça e em seguida com a Serralheria também. Porém a ideia nunca foi fazer um projeto só do “Chimpa”. Queremos que outras bandas façam suas Ondas em outras casas, outras cidades, outros estados, outros países e nos chamem pra tocar em todas elas um dia se possível!
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BF: A ideia é realizar só shows ou outras ações também?

OI: Na Serralheria os eventos vão contar com discotecagem e feira de discos de vinil de som instrumental. Criamos uma fanpage da Onda Instrumental que pode ser uma excelente plataforma coletiva de divulgação e comunicação para esta cena. Estamos adicionando outras bandas e produtores de eventos de música instrumental que tem usado a página para divulgar seus trabalhos. Se a coisa continuar crescendo do jeito que está atualmente pretendemos fazer um festival Onda Instrumental que pode ser na rua, no SESC, no CCSP ou em outro lugar que tope abrigar o projeto.

BF: Porque vocês escolheram trabalhar sem cachê ou bilheteria pra custear a produção? Acham viável? Como as casas receberam essa proposta?

OI: Quando você trabalha no sistema “quanto vale o show” as pessoas ficam mais estimuladas a contribuir. O valor da bilheteria, mesmo sendo baixo, muitas vezes afasta um público que é muito importante pra nós. Aquela pessoa que vai uma vez só pra ver “qual que é” e acaba gostando, voltando nos outros eventos e chamando os amigos. As casas receberam muito bem a proposta. O pessoal do Puxadinho da Praça e da Serralheria tem um pensamento muito parecido com o de muitas bandas. Assim como nós a maior preocupação deles é com música e cultura, não com dinheiro. Claro que estar nessa “pela causa” não quer dizer que não temos contas pra pagar no fim do mês. Por isso mesmo preferimos nos juntar e colaborar para tentar criar condições permanentes de sustentabilidade para bandas, casas de show, mídias alternativas e todos aqueles que fazem parte da cadeia produtiva da música autoral.
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BF: Como as casas se colocaram a frente de um projeto de música instrumental? Quanto a público como vocês enxergam o público perante a esse tipo e música?

OI: As casas, assim como nós, percebem que existe uma demanda forte nesse setor. Tem muita banda boa tocando e produzindo trabalhos de alta qualidade. Muitas delas tem público cativo e uma grande capacidade de autogestão. O público sempre recebe muito bem a música desse tipo que a gente faz. Essa cena é composta por bandas e artistas que fazem música instrumental popular. As pessoas hoje em dia não esperam mais aquela coisa hermética e complicada de músicos virtuosos e tal. As bandas que participam da Onda Instrumental fazem música que poderia tocar no rádio sem problema nenhum.

BF: Vocês estão há um tempo envolvidos com a música instrumental. Como vocês veem ela desde que começaram a trampar a partir dela, e acreditam que exista uma cena instrumental?

OI: Talvez a gente esteja em um dos melhores lugares do mundo pra fazer música instrumental. Eu não sei explicar por que mas o Brasil sempre teve grandes músicos e bandas dedicadas a música instrumental e sempre foi capaz de lançar tendências na música mundial. Devemos muito a todos que vieram antes da gente e abriram os nossos caminhos. Ainda há muita coisa a ser feita pra que uma banda autoral (instrumental ou não) seja um projeto de vida sustentável no Brasil mas essa situação não é muito diferente em outras partes do mundo. Aliás nosso papel não é só tocar. Temos que conseguir criar condições de sustentabilidade para projetos culturais que não se inserem na lógica do lucro e isso se faz coletivamente em parceria com bandas, casas de música autoral, centros culturais, mídias alternativas, secretarias de cultura, lojas de discos, fabricantes locais de equipamentos, estúdios, etc.
Acreditamos que existe sim uma cena instrumental. No Brasil ela está muito bem representada por festivais como o PIB (Produto Instrumental Bruto), o Música Muda, o MIMO, entre outros, e por bandas como Huey, Camarones Orquestra Guitarrística, Martinez, Elma, Bombay Groovy, Aeromoças e Tenistas Russas, Malditas Ovelhas!, Macaco Bong, Di Bigode, Porto Duo, Hurtmold, Rumbo Reverso, Bixiga 70, Mamma Cadela, Pata de Elefante, 3 Cruzeiros, Fóssil e muitas outras mais.

BF: Indiquem uma música, disco ou artista que tem ouvido ultimamente.

OI: Tenho escutado muito o álbum recém lançado “Pelicano” da banda Constantina de Belo Horizonte – MG (http://miojoindie.com.br/tag/constantina/). Um trabalho extremamente bem feito e totalmente viajante. Muito massa!

Segue um vídeo de uma apresentação do projeto:

Chá de Pólvora na Terceira Edição do Onda Instrumental

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Tudo Veio do Nada (2011) – Chimpanzé Clube Trio

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1. Curta a Paisagem
2. Raios e Trovões
3. Tem Dia Que a Noite É Foda
4. Na Rua Até Essa Hora?
5. Te Encontro na Praça da República
6. Cosmic Feelings I
7. O Vale dos Semi-Vivos
8. Nos Tempos da Montown
9. Cosmic Feelings II

O nome do terceiro álbum dos paulistanos do Chimpanzé Clube Trio já avisa o que estaremos prestes a ouvir ao dar o play. São sessões de improviso, gravadas ao vivo no Bar B em São Paulo ano passado. “Sem pós-produção, overdubs ou ensaio”, é o disco de uma banda em sua essência, tocando livre das composições ou arranjos pré – determinados, levando o estúdio até ela e não o contrário, como normalemente acontece.

O som do “Chimpa” é genuinamente rock, voltando mais para a estética setentista. O power trio formado por Luiz Miranda (guitarra e baixo), Felipe Crocco (baixo e guitarra) e Angelo “Turco” Kannan (bateria), explora a psicodelia do rock, fazendo-o dialogar com o soul e o funk. O “Chimpa” está “nos finalmente” da produção do seu quarto disco. Em breve estará no ar e com certeza nas páginas deste humilde blog.
Tudo Veio do Nada foi disponibilizado pela própria banda para download.
Baixe-o!!

Chimpanzé Clube Trio (2007) – Chimpanzé Clube Trio

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01 – Pula Sagüi
02 – U.S.M.L.
03 – Gatunos da Noite
04 – O Jogo do Mico
05 – Chimpanzé na Cachaça
06 – Um Rancho na Jamaica
07 – Extrato de Energia Volátil
08 – Escada Abaixo
09 – Neander Town
10 – Botata Doce
11 – Surf no Deserto
12 – O Poico do Juleno

Citando-me:

O Chimpanzé Clube Trio existe desde 2002 e já tem um disco e uma demo na bagagem; o disco é homônimo e foi lançado pela Tratore, em 2007; a demo é de 2003, se chama “Sessões de Quintal” e foi inteiramente captada na edícula do baterista Angelo “Turco” Kanaan; “gravada num md8 com mics tosqueras espalhados pela sala” – segundo o próprio. Ambos os discos possuem material bem bacana e bastante conciso em seu conjunto – desde a escolha dos timbres às surpreendentes reviravoltas rítmicas, os Chimpas dão um show em seus instrumentos. Os outros dois membros da banda, Luiz Miranda e Felipe Nelson Crocco, se revezam entre guitarra e baixo. Os 3 representam 60% da banda Abimonistas, “que está hibernando por tempo indeterminado…” – informa Angelo mas o abimonismo jamais deixará de existir” – completa.

Tá aí pra vocês o disco dos amigos Chimpas; aproveitem!

Download: Clique Aqui