Arquivo da categoria: Free Jazz

Chorume da Alma (2011) – Pig Soul

Padrão

Capa1. Intro (11)3142212X
2. Chorume da Alma
3. Koentro
4. Raño
5. Romanza
6. L’Amour
7. Wa A Api Vini
8. Cocktail
9. Epílogo
10. Talking Waves

O release do Pig Soul, banda residente de São Paulo capital, já diz tudo: “Vale tudo. Da improvisação livre à nerdice dodecafônica e espectral. Tudo com a veia roquenrol dos integrantes, ligados ao Progressivo e ao Metal. É jazz, é salsa, é louco. Acima de tudo é Rock!” Resume bem: é louco e acima de tudo é rock! Um rock pesado, recheado de experimentações da primeira à última faixa. Em tempos que as bandas de rock tem postura e produção mais preocupadas com a imagem que a sonoridade, o Pig Soul leva o rock à outros terrenos, digamos que mais…fritos! Viaja com o jazz, rebola com o samba e mexe com a salsa mas, sem perder a ternura.

A banda paulistana é formada por músicos experientes que tocam ou tocaram (juntos ou não) em outros projetos mui interessantes – o Eletrogroove, banda formada em Campinas e que tem dois integrantes que hoje formam o Pig Soul é uma delas. Em 2011, lançaram seu único registro até então, o disco Chorume da Alma. As composições são densas e vagam com tranquildade nos ritmos citados. O “espírito de porco” de Daniel Brita (guitarra e trombone), Gustavo Boni (baixo), Luiz André “Gigante” (bateria) e Rafael Montorfano “Chicão” (sintetizador e piano) incorporou e remexeu a caxola no rock.
Pra ouvir essa pedrada, clique aqui!

Lagoa da Canoa Município de Arapiraca (1984) – Hermeto Pascoal

Padrão

LPcapa1. Ilza na Feijoada
2. Santa Catarina
3. Tiruliruli
4. Papagaio Alegre
5. Vai Mais, Garotinho
6. Monte Santo
7. Spock na Escada
8. Mestre Radamés
9. Aquela Coisa
10. Frevo em Macéio
11. Desencontro Certo

Em diversas entrevistas, o genial Hermeto Pascoal menciona a importância da sua infância para sua concepção artística e de mundo. Foi nela, passada inteiramente no (hoje) munícipio de Lagoa da Canoa, interior de Alagoas, que Hermeto deu seus primeiros passos na criação artística. Juntamente com o irmão, se apresentava em bailes nas fazendas da região; o irmão, segundo Hermeto, sempre foi mais “aceito” pelo “público”, já que desde sempre a música do “galego” soava estranha, experimental. Segundo o próprio, ele tentava reproduzir as melodias que vinham em sua cabeça, influenciadas pelo ambiente bucólico e cheio de barulhos rurais, e em processo de urbanização que o cercava.

Pode-se dizer que Lagoa da Canoa Munícípio de Ararapiraca, é um disco composto pela (eterna) criança Hermeto Pascoal. O disco, como não seria diferente, é danado de experimentos; não só na música, com baião, maracatu e samba, misturado à um “jazz circense” e infantil, demostrado nas melodias singelas e pueris de Hermeto, mas, também pelas prosas e causos da região e a influência do rádio – que até a década de 70 predominava como meio de comunucação, e era a única fonte de informação que chegava aos rincões do Brasil – sendo representado desde uma estranha entrevista com Aguinaldo Timóteo, às narrações futebolísticas históricas de Osmar Santos. Toda essa mistura mostra quão moderno é Hermeto e sua arte, conseguindo de um modo magistral dar uma linguagem singular e contemporânea a experiências não tão modernas de sua vida.
Pra ouvir essa obra prima, clique aqui!

Ao Vivo No Espaço Mais Soma (2013) – MarginalS e Thomas Rohrer

Padrão

capa_marginals_21. Primeiro ato, cena 1
2. Primeiro ato, cena 2
3. Primeiro ato, cena 3
4. Primeito ato, cena 4
5. Primeiro ato, cena 5
6. Segundo ato, cena 1
7. Segundo ato, cena 2
8. Terceiro ato, cena 1
9. Terceiro ato, cena 2
10. Terceiro ato, cena 3
11. Terceiro ato, cena 4
12. Quarto ato, cena 1
13. Quato ato, cena 2
14. Quarto ato, cena 3
15. Quarto ato, cena 4
16. Quarto ato, cena 5
17. Quinto ato, cena 1
18. Quinto ato, cena 2
19. Quinto ato, cena 3
20. Quinto ato, cena 4
21. Quinto ato, cena 5
22. Sexto ato, cena 1
23. Sexto ato, cena 2

Somos muito fãs dos trabalhos do trio de improviso e free jazz MarginalS – essa é a quarta vez que o trio paulistano aparece aqui no blogue. Duas vezes com seus discos de estúdio, porém improvisados e outras duas (contando essa) com bootlegs gravados ao vivo no Espaço Mais Soma, na capital paulista, durante os anos de 2010 e 2011.

No primeiro, o convidado foi o irriquieto Maurício Takara, e nesse o músico suíço radicado no Brasil, Thomas Rohrer, tocando sax soprano, rabeca e percussão. A sessão foi dividida em atos e cenas, dando uma narrativa aos improvisos do quarteto. O resultado já sabemos:  mistura enérgica de jazz, música brasileira, grooves e muitas paisagens sonoras.

O trio pretende lançar esse ano outros bootlegs gravados ao vivo, com convidados como Guizado, Criolo e Lurdez da Luz. É ficar esperto e aberto à todas essas novidades e viagens musicais.
Pra ouvir a sessão, clique aqui!

Cozido (2002) – Hurtmold

Padrão

1. Kampala
2. Fontaka
3. Bulawayo
4. Desisto
5. Credenciais
6. Myke Tison
7. Dois pés e ingrato
8. Filas longas, taxas altas
9. Chepa
10, Mais uma vez, desanimou
11. Ciesta

O Hurtmold é uma das bandas mais importantes da música instrumental recente feita no Brasil. Os paulistanos tem 15 anos de história e já lançaram 4 discos cheios, além de um split com os estadunidenses do The Eternals. Cozido, é o segundo disco de estúdio e considerado por muitos o melhor da discografia dos caras, já que é nele que a banda mostra o caminho que sua música seguirá nos trabaçhos seguintes. O primeiro, chamado de EtCetera, de 2000, traz as composições mais influenciadas pelo post rock e hardcore; já Cozido, tem esses ritmos como base, mas os diálogos com outros ritmos mais experimentais, como o jazz e a música eletrönica, sobressaem nas composições.

O disco conta com três músicas que possuem letra: Desisto, Dois pés e ingrato e Mais uma vez, desanimou. Essa característica de possuir músicas com letras, sempre acompanhou o Hurtmold – apenas o último registro lançado em 2007,  tem apenas composições sem letra. O Hurtmold é formado por Guilherme Granado – teclado, vibrafone e  melódica; Maurício Takara – bateria, vibrafone, trompete; Marcos Gerez – baixo; Mário Cappi – guitarra; Fernando Cappi – guitarra e Rogério Martins – percussão e clarinete. Desde 2007 sem lançar nada inédito – porém com os integrantes participando de inúmeros projetos – prometem que até o fim desse ano, lançarão material novo. É fica esperto e deliciar-se.
Pra ouvir o Cozido, clique aqui!

Naturais e idênticos ao natural de pimentas da Jamaica e preta (2011) – Dibigode

Padrão

1. Barroca
2. Mariposa (A Lagartixa e o Urubu)
3. Mongra do Criolo Doido
4. Desfiladeiro
5. Deep Red
6. Debaixo D’ água
7. Foia de Loro
8. De leste

Naturais e idênticos ao natural de pimentas da Jamaica e preta, é o disco de estréia da banda mineira Dibigode. Lançado em 2011, o álbum impressiona pela riqueza de arranjos e experimentações e é resultado de quase 4 anos de tocadas sem nenhuma pretensão, apenas “dibigode” (de bobeira), conseguidas nos ensaios do grupo. O disco é um grande caldeirão de ritmos de dentro e fora do Brasil, como por exemplo na faixa “Mongra do Criolo Doido”, onde nos sete minutos de música, passeamos de um post rock para um samba, caindo num free jazz com linhas melódicas do saxfone que lembram temas mais voltados à música pop.

O disco teve uma inovação em seu lançamento: não saiu um cd físico. O álbum saiu no fomato de um livro, com ilutrações, fotos e textos que fazem referência às músicas. Quem compra o livro, tem direito à uma senha pra poder baixar o mesmo no site dos caras, porém, recentemente eles diponibilizaram o álbum pra download gratuito no próprio site e nos deram a oportunidade de ter contato com essa bela obra. O Dibigode é formado pelos músicos Antônio Vinícius (Melão): baixo, Gabriel Perpétuo (Bil): guitarra,  Guilherme Peluci (Big): sax alto e flauta,  Tiago Eiras (Geraldão): bateria  e Vicente França (Preah): guitarra, além da equipe audiovisual e de produção constituída em torno do projeto.
Pra ouvir esse petardo, clique aqui!

A Divina Increnca (1980) – A Divina Increnca

Padrão

1. Cheguei, Lá e Tal…
2. Canção Pra Ela
Balão
3. Friii-tz
4. Ainda Bem Que Não Flalta Fauta
5. Frevo do Cheiro (Nois Sofre + Nois Goza)
6. A Lira e a Gira
7. Ufa!
8. Conforme o Dia (Filomena)

“A Divina Increnca”,  primeiro e único disco do grupo de mesmo nome é uma álbum com essência jazz. Porém, é um jazz diferente do habitual. O encontro (meio casual) de Félix Wagner, Rodolfo Stroeter e  Azael Rodrigues  deu luz à uma música distinta.  Os 3 fizeram da tal Divina Increnca um conceito criado em cima do concretismo dos irmãos Haroldo e Augusto de Campos.

Querendo de todas as formas sair do comum, do habitual, o grupo nasce anárquico e punk, em conceito e musicalidade. Na primeira faixa (Cheguei Lá e Tal…) percebe-se um disco de jazz, mas com o passar dos minutos nota-se que a intenção do grupo é outra. É a não-intenção. Percebemos nas músicas um tanto de Hermeto Paschoal, John Cage, Egberto Gismonti, John Coltrane e várias experimentações futuristas dos instrumentistas: jazz brasileiro de extrema qualidade.

O disco foi gravado ao vivo na sala “Guiomar Novaes” na FUNARTE, em São Paulo, devido ao piano que a sala possuia. O único overdub posto – palmas em uma das faixas – foi gravado no estúdio JV, onde Azael e Rodolfo trabalhavam.
Delicie-se com as viagens….

“Três Cabeças Loucuras” – São Paulo Underground (2011)

Padrão

1. Jagoda’s Dream

2. Pomboral

3.Carambola

4. Colibri

5. Just Lovin’

6. Lado Leste

7. Six Six Eigth

8. Rio Negro

9. The Bat’s Digital Dlipomat

Parodiando o Homis Canidae esse petardo não tem como segurar. O rojão é grande!
Disco foda do trio/quarteto São Paulo Underground, lançado rencentemente e formado pelos onipresentes M. Takara e Guilherme Granado,  o norte americano de São Paulo, Rob Mazurek (que possivelmente são as “3 cabeças Loucuras”) e por Richard Ribeiro, que soma e muito nas engrenagens experimentais.

O  terceiro disco do grupo,  que por vezes soa como improviso, é mistura muito bem feita de free jazz, música brasileira e experimentações eletrônicas cabeçudas. Parece que nesse trabalho os “cabeças loucuras” encontraram o som que buscavam nos dois discos anteriores: “Sauna: Um, Dois, Três” de 2005 e ” The Principle of Intrusive Relationships” de 2008. “Três Cabeças Loucuras” soa diferente dos dois anteriores, mas é preceptível que as ideias já figuravam há alguns anos na mente dos integrantes. Os caras conseguiram tiram um som limpo, experimental pra caramba, mas com um caminho muito claro.

Ouçam!