Arquivo da categoria: Groove

CaladoNovo#2 – Gingo

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Muitas bandas instrumentais que começaram suas atividades na década passada aqui no Brasil, estão gerando outras novas bandas do estilo. Músicos que já tocam juntos em outras bandas, ou outros, que já tem certa história em grupos instrumentais (e não só), estão se unindo e começando produção nova, muitas vezes se descolando da sonoridade da “banda original”, e noutras com a sonoridade anterior sendo referência da música que está sendo criada. Um caso emblemático disso são os paulistanos do Hurtmold, que geraram ou seus integrantes se ocupam noutras bandas.

Bom, não é sobre o Hurtmold o post, já que a seção CaladoNovo tem como intuito divulgar bandas instrumentais que acabaram de sair do forno, e que ainda não tem algum disco lançado, Nesse contexto todo, apresentamos aqui a Gingo, banda formada por músicos que já tem essa tal outra história que citei. Gabriel Izidoro, Gustavo Cék, Rômulo Nardes e Hugo Cadaval formaram e/ou tocam em bandas como Bixiga 70, Joseph Touton, Batucada Tamarindo, Pipo Pegoraro, Palmeira Imperial, dentre outras.

O único material da banda lançado até agora é o vídeo que segue, e nele, percebemos que o som da Gingo carrega as referências das bandas que integrantes participam e também norteia algo novo, trazido pela mistura da cozinha batuqieira de bateria, baixo e percussão, com as possibilidade eletrônicas de pedais e sintetizadores e também das linhas de guitarra. Hoje, no Espaço Cultural Puxadinho da Praça, em São Paulo, os caras fazem o debute nos palcos, e por aqui, continuamos no aguardo de mais novidades da banda.

Boom! (2011) – Boom Project Band

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Capa

1. Intro B
2. Boom!
3. Reloginho Safado
4. O Último Trago de Schulz
5. Lobo na Água
6. Purgatório
7. Coisas
8. Indiferente, Groove
9. Dedo Cortado

Boom! é o primeiro (e até agora único) disco da banda paulistana Booom Project Band, formada em 2010 por Chico Leibholz (bateria), Rodrigo Fonseca (baixo), André Zaccarelii (guitarra) e Rosana Oliveira (trompete), e que possui como ideia sonora misturar diferente trilhas instrumentais do funk e da surf music, recebendo carinhosamente pela banda a alcunha de “Surfunk”. Esse sincretismo é notado principalmente pela junção de um baixo funkeado com linhas de guitarra da surf music e do rock setentista.

Além dos dois principais ritmos que conduzem a sonoridade da banda, outros se mostram nas composições de Boom!, como por exemplo na faixa O Último Trago de Schulz, onde a guitarra antes do tema surf que conduz a música como um todo, discorre com competência em melodias simnpatizantes com o jazz africano e ritmos latinos como o bolero. Esse sincretismo sonoro da Boom Project Band é certeiro, principalmente relativo à surf music, ritmo mais ortodoxo e menos passível de mistura, e que na sonoridade da banda é desconstruído e remexido por ritmos mais suingados.

Para ouvir Boom!, clique aqui!

A Espetacular Ataca Novamente! (2013) – A Espetacular Charanga do França

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capa charanga - arte kiko dinucci1. Hasta la Cumbia
2. Cumbia, Cumbia
3. Raggaxixe
4. Pedra do Rei

Já comentaram e me perguntaram se o blogue era só de música instrumental brasileira. Disse que não, mas numa conta rápida vi que mais da metade dos discos postados até aqui (quase 300) são da fértil música instrumental brazuca, e de todas as épocas. Tento sempre postar discos gringos também, mas por um “defeito” meu posto mais nacionais, porque os ouço com mais afinco e procuro sempre regar minhas raízes. Além disso, de uns tempos pra cá, a música brasileira nos deu diversos frutos sem voz, de muita qualidade e de vários gëneros e regiões. Um dos músicos mais atuantes não só na música instrumental, chega com mais um bela obra da sua discografia: o saxofonista Thiago França, acaba de lançar o primeiro disco do projeto A Espetacular Charanga do França, o A Espetacular Ataca Novamente!, lançado a pouco.

Thiago França, nos variados projetos que integra, ou colabora como músico e produtor tem uma linguagem distinta no saxofone, instrumento que sempre se tem um pé atrás, devido às melodias chatas popularizadas por Kenny G, ou simplesmente pelo fato do sax, muitas vezes, apenas fazer o acompanhamento, cabendo a ele papel secundário em muitas composições. O sax de França caminha em sentido contrário, muitas vezes envenenado por pedais e criando texturas e melodias que distoam do comumente ouvindo. A Espetacular Charanga do França é um projeto estreado em 2012 pelo músico, quando esquentou algumas noites do carnaval paulistano. Simplificadamente, é música pra dançar!, apimentadas em ritmos negros latinos: cumbia, salsa, merengue, ragga e maxixe, presentez nas 3 primeiras faixas do disco; e na última: Pedra do Rei, o lado mais psicodélico e experimental do músico fica evidente, trazendo o jazz como referência e nos fazendo lembrar do bombástico MarginalS, em que participa.
Pra ouvir essa “Espetacular Charanga”, clique aqui!

Apaixonado (1973) – Baden Powell

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capa1. Casa Velha
2, Alcântara
3. Igarapé
4. Estórias de Alcântara
5. Waltzing
6. Lembranças
7. Abstrato
8. As Flores
9. Balantofe
10.Brisa do Mar

A música brasileira está repleta de casos em que artistas fizeram mais sucesso fora do que no próprio país. Um exemplo dessa anomalia é o vilonista e genial Baden Powell, carioca nascido na década de 30, ano em que começava a ditadura Vargas no país, e período em que o samba ainda sofria na mão dos moralistas institucionalizados. Baden apareceu junto à bossa nova, movimento nascido em fins da década de 50 e que tomou grande proporção e fama na década seguinte. Detalhe interessante é que a bossa nova – mesmo com muito sucesso no Brasil – foi um dos movimentos musicais que mais aconteceu a tal anomalia do “santo de casa não faz milagre”.

Baden inicia-se junta a bossa mas, é um dos responsáveis por transformá-la e reiventá-la. Isso ocorre na segunda metade da década de 60, onde a denominada “segunda geração” do movimento (Eumir Deodato, Hermeto Pascoal, Edu Lobo e  Baden, dentre outros) conduziram-na à outros caminhos, intermediando um papo “mui bueno” com outros ritmos. Em Apaixonado, disco de 1973 (de um Baden bem maduro) isso fica evidente, pois os temas compostos por ele, vagam de pés firmes por toda música do mundo. Em toda singeleza que lhe é peculiar, notamos muita música brasileira: samba, frevo e bossa (claro!), envenenada pela música negra do mundo: o jazz, já existente em sua obra, pitadas de rock e blues, e dos recém nascidos soul e funk. (Interessamte notar a presença desses ritmos na música de Baden, mostrando quão antenado era um dos maiores guitarristas brasileiros).

Pra ouvir esse belíssimo disco. clique aqui! 

Mel Azul_EP (2011) – Mel Azul

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Capa1. Máquina Malvada
2. Surfista de Trem 22hs.
3. Descarrego
4. Tributo
5. Apo

Alexandre Silveira, Antonio Carvalho, Antonio Paoliello e Gustavo Prandini fomaram o Mel Azul em 2009, e esse EP,lançado dois anos depois dessa formação, é o primeiro registro da banda de funk rock psicodélico. O EP homônimo é composto de 5 músicas gravadas numa sessão de improviso, e mostram principalmente as influências e a sonoridade do quarteto instrumental.

É nítida a estética influenciada pela música negra das décadas de 60 e 70, principalmente o funk, o jazz e o rock, unindo-os à texturas eletrônicas e sons mais etéreos causados pelas linhas psicodélicas dos teclados e riffs agressivos de guitarra. O EP lançado em 2011, é só uma amostra do disco Luz Além que lançaram em 2012, e que em breve pinta por aqui!
Enquanto Luz Além não passeia por aqui, ouçam o EP do Mel Azul, clicando aqui!

E prra ficarmos com o gostinho do álbum cheio lançado ano passado, os caras acabam de lançar um clipe de uma música do disco. Se liga!:

Ao Vivo no Espaço Mais Soma (2013) – MarginalS + Guizado + Dj Marco

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art marginals + guizado + marco

1. Introducing Ms. Johnson
2. Introducing Ms. Jackson
3. Ms. Johnson’s Space Tea Party_Savge Space Talent number 8
4. Mr. Jackson’s Tasty Trear Special
5. Ms. Johnson’s Space Forbidden Dreams part 6
6. Ms. Jackson’s Freaky Love Dance
7. Ms. Johnson’s Sexy Space Outfit
8. Ms. Jackson’s Capert Cleaning Techinics
9. Mr. Gomez’s in da House
10. Ms. Johnson’s Savage Space Talents, number 1
11. Ms. Jackson’s Mysterious Ofuro Approch
12.  Ms. Johson’s Space Forbidden Dream, part 2 , 3
13. Ms. Jackson’s Freaky Love Dance (Ofuro Party)
14. Ms. Johnson’s Savage Space Talents, number 2, trought 5
15. Ms. Jackson’s  Capert Cleaning Techinics Revised (whit laser)
16. Ms Johnson’s Mysterious Space Rendez-Vouz
17. Vortexx
18. Ms. Jackson Thank You Note

Terceiro bootleg do trio de improviso groove MarginalS, gravado durante a residência dos caras entre 2010 e 2011 no Espaço +SOMA, em São Paulo. Dessa vez, Thiago França, Marcelo Cabral e Tonny Gordin tem como convidados o trompetista Guizado e o Dj Marco. A sessão suingada de experimentações e viagens instrumentais alucinadas está divida em 18 faixas, homenageando Ms. JohnsonMs. Jackson. Como presente à essa senhoritas, o bicho pegou como sempre!
Pra ouvir mais esse bootleg, clique aqui!

A + B (2012) – Quarto Sensorial

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Quarto Sensorial - A + B (Cover)1. Biotônico Ferreira
2. Inferno Astral
3. Voo Livre (parte 1)
4. Voo Livre (parte 2)
5. 08’59 am
6. La Gambiarra
7. Samba Cafeinado

Na estrada desde 2007, os gaúchos do Quarto Sensorial lançaram ano passado seu primeiro disco cheio: A + B, depois do EP de estréia denominado “Quarto Sensorial“, lançado em setembro de 2009. O disco foi gravado e produzido em Porto Alegre, cidade com importantes bandas instrumentais como a já extinta Pata de Elefante e o Reverba Trio, além de outros belos trabalhos instrumentais como o de Marcelo Armani. Essa grande leva de artistas gaúchos confirma o que Renan Ruiz disse na entrevista com a banda Catexia feita na semana passada: ‘é difícl algum estado brasileiro não ter uma banda ótima de música instrumental”. Fato!

A + B, como os próprios músicos dizem é um laboratório de ritmos e experimentações, pois o power trio formado por Bruno Vargas (baixo), Carlos Ferreira (guitarra, violão e programações) e Martin Estevez (bateria e percussão) mistura com muita criatividade o jazz/fusion latino com passagens minimalistas e rock progressivo, e ritmos brasileiros como o samba com o post rock, criando paisagens sonoras que levam da tranquilidade à intensidade dentro da mesma composição. Mais uma prova do belo momento que a música instrumental brasileira vive.
Pra ouvir A + B, clique aqui!