Arquivo mensal: abril 2012

Deodato 2 – Eumir Deodato (1973)

Padrão

1. Super Strut
2. Rhapsody In Blue
3. Nights In White Satin
4. Pavane For A Dead Princess
5, Skyscrapers
6. Latin Flute
7. Venus
8. Do It Again

Eumir Deodato é um dos muitos injustiçados da música brasileira. Muito mais conhecido nos Estados Unidos do que no Brasil, é considerado um dos principais arranjadores e produtores dos anos 60 e 70, chegando a trabalhar nesse período com Frank Sinatra e Vinicius de Moraes e adaptando à um gênero mais popular, algumas obras clássicas, como “Assim Falava Zaratrusta” do compositor alemão Richard Wagner. Na década de 70 mudou-se paras os Estados Unidos e seu trabalho se voltou mais para o estúdio, produzindo nomes como Kool in the Gang e Earth Wind & Fire. Na década de 90 também produziu outro nome importante da música mundial, a cantora islandesa Bjork.

No Brasil, fez parte do movimento da bossa nova e quando mudou-se para os EUA em fins da década de 60, suas produções alcançaram novos voos. Uma dessas alçadas é Deodato 2, disco lançado em 1973 e que conta com a participações de nomes de peso como o baixita Stanley Clark e o guitarrista John Tropea. O disco é uma espécie de continuação de Prelude, do ano anterior, pois a concepção e idéias colocadas nas composições de outros artistas, e que fazem parte dos dois álbuns são na linha do funk, soul, jazz e música orquestrada. Influências e referências que estiveram por toda a carreira de Eumir Deodato dentro da música popular mundial. Esse era um disco que tinha tudo pra se tornar chato, virtuose, mas nota-se a grande sensibilidade das composições e arranjos, com certeza infliuenciados pelo auto didatismo desse grande musico.
Ouçam!!

Anúncios

Miosótis (2006) – Paulo Martelli plays Zé Henrique Martiniano

Padrão

1.É Gol
2.Jauaperi
3.Rio Sampa
4.Oldest Friends
5.Enigma
6.Sob os Faróis
7.Tarde
8.Bagatela
9.Bagatelli
10.Miosótis

Paulo Martelli é um violonista brasileiro nascido em Araraquara, interior de São Paulo, de renome internacional, considerado um dos melhores violonistas de sua geração. Músico eclético, virtuoso, de técnica refinada combinada com muita sensibilidade e senso musical. Além disso o músico é um agitador cultural, é idealizador e curador do projeto Movimento Violão, levando o violão clássico para diversas cidades em concertos gratuitos. Em 2006 ele lança o álbum “Miosótis” com composições de José Henrique Martiniano, seu conterrâneo músico e compositor, em arranjos inéditos e com a participação de João Luis Resende Lopes. Belo som, confira!

Paulo Martelli tocando Bach em seu violão de 11 cordas: 

Instrument (1999) – Fugazi

Padrão

1. Pink Frost (demo)
2. Lusty Scripps
3. Arpeggiator (demo)
4. Afterthought
5. Trio’s
6. Turisk e Disco
7. Me & Thumbelina
8. Flosting Boy (demo)
9. Link Track
10. Little Debi
11. H.B.
12. I’m so Tired
13. Rend It (demo)
14. Closed Caption
15. Guilford Fall (demo)
16. Swingset
17. Shaken All Over
18. Slo Crostic

Mesmo não sendo um disco totalmente instrumental, a alma da compilação Instrument (Instrument, também é o nome de um documentário sobre o Fugazi, lançado em 1998, que acompanha a carreira da banda entre 1987 e 1997.), lançado em 1999 por uma das bandas mais imporantes do cenário independenete, o Fugazi, é permeada pela ausência de voz, Porém, quando as palvaras aparecem, soam como mais um instrumento, somando-se às doideras e experimentos da banda de Washington, que misturou em seus 15 anos de história, punk, reggae, hard core e funk.

Esses estilos em Instrumet, são levados à um grande diálogo com o noise e diversos experimentos; sempre muito bem estruturados nas tortas melodias e tempos, e nos riff’s marcantes que Ian MacKaye (guitarra e vocal), Guy Picciotto (guitarra e Vocal), Joe Lally (baixo),] e Brendan Canty (bateria) colocam no disco. O espírito punk do Fugazi está além de sua música. A forma de produzir sua carreira também foi inovadora, fazendo shows não somente em grandes casas, mas também em pequenos palcos de “muquifos” do rock alternativo estadunidense.
Ouçam!!

The Big Beat (1960) – Art Blakey & The Jazz Messengers

Padrão

1.The Chess Players
2.Sakeena’s Vision
3.Politely
4.Dat Dere
5.Lester Left Town
6.It’s Only a Paper Moon
7.It’s Only a Paper Moon (alternate take)

“O instrumento mais próximo da alma humana é a bateria, porque se o seu coração não bate você está morto. Se você não andar no ritmo, não consegue andar. Você precisa mastigar sua comida no ritmo. Todas as coisas tem um ritmo próprio”.  Isso foi o que disse um dos maiores bateristas do jazz – Art Blakey –  em entrevista à revista Down Beat, em 1979. E ele tocava com a alma, em performances intensas e com um grande senso de dinâmica, o que lhe permita conduzir os improvisos dos parceiros de forma brilhante.

Em 1955 Blakey comandou a primeira formação dos “mensageiros do jazz”, e durante os 35 anos de atividades do Jazz Messengers, descobriu inúmeros músicos talentos. A banda era quase uma escola, onde o mestre dividia sua experiência com os jovens e exigia, em contrapartida, muita dedicação. “Eu quero caras que têm vontade de aprender. Eu não os escolho pelo modo que tocam. Eu os escolho pela atitude que têm em relação à música”. E ainda dizia aos jovens: “se você que tocar essa música, tem que tocá-la com alma, com intensidade, e toda vez que pegar o instrumento tem que tocá-lo para valer, isto não é brincadeira”.

Neste álbum, The Big Beat, de 1960, que se tornou uma referência do hard bop, Blakey toca com uma galera da pesada: Wayne Shorter (Saxofone), Bobby Timmons (Piano), Lee Morgan (Trompete) e Jymye Merritt (Contrabaixo). Delicie-se com mais essa sonzera! Os ouvidos agradecem, é só clicar aqui!

Omar Rodriguez López e John Frusciante (2010)

Padrão

1. 4:17 am
2. 0=2
3. LOE
4. ZIM
5. VTA
6. 0
7. 5:45 am

Como dois guitarristas pesados, de bandas como Red Hot Chili Peppers, At the Drive In, Ataxia e The Mars Volta fizeram um disco tão despretensioso, bonito e singelo, como o álbum lançado por Omar Rodriguez Lopes e John Frusciante em 2010? Os dois, com trabalhos reconhecidíssimos de rock no maisntream, fizeram um disco somente com guitarras, sintetizadores e violão. Logicamente, que por trás das cordas e teclas, estão duas das cabeças mais criativas e loucas do rock atual. É um disco de guitarrista, mas não só para guitarristas. Não tem solos e fritações virtuosísticas como vemos por aí nos trabalhos de grandes guitarristas. Tudo que foi construído nas carreiras dos caras, foi musicalmente desconstruído nesse registro.

É um grande diálogo de timbres, melodias bem elaboradas e de belo toque e idéias certeiras; uma bela conversa colaborativa entre dois amigos numa madrugada com aditivos experimentais. O disco foi produzido logo após a saída de Frusciante dos “Chili Peppers“, num ano em que Omar lançou quase uma dezena de trabalhos. Em poucos momentos lembra o trampo dos dois nas bandas que tocaram ou tocam. O que mais se aproxima um pouco são os discos que Frusciante lançou em carreira solo, que, mesmo sendo canções em formato mais pop, muitas idéias dali são perceptíveis nesse álbum. Reza a lenda que outro da dupla ainda pintará.
Discaço!

Quase todas elas (2009) – Splishjam

Padrão

1.Nancy
2.Julia
3.Sofia
4.Chloe
5.Maria
6.Laura
7.Nicole
8.Frida
9.Susan
10.Kate
11.Tereza
12.Ana
13.Sara
14.Lucia
15.Tina
16.Olivia
17.Carol
18.Emily

Mais um som direto das Minas Gerais – Splishjam. Duo composto por Dellani Lima (Tuca) e Rodrigo Lacerda, que juntos, produzem músicas instrumentais lo-fi, no estilo IDM, em gravações caseiras usando um violão com cordas de aço, dois teclados (Yamaha PSR-6/Casiotone MT-40), uma gaita em dó e muitos sentimentos. São músicas que podem servir de trilha sonora pra diversos momentos, desde desencontros amorosos até para resistência política, de acontecimentos corriqueiros a momentos áureos. Cada faixa leva o nome de uma mulher.Vale a pena conferir! Ouça!

Em Busca da Verdade (2006) – Mamma Cadela

Padrão

1. Lição Marítima n1
2. Papa Passarinho
3.  Meus Eletrodomésticos
4. Abraço dos Militares
5.  Dentadura de Robô
6. Lapin Noir
7.  Da Espanha pro Brasil
8. Natu Nobilis
9.  Jantar com Kubrick
10. A Suiça me Deixou Sem Suingue
11. Bohemia Sem Calcinha

Primeiro disco dos paulistanos do Mamma Cadela, Em Busca da Verdade é um dos grandes álbuns da música instrumental contemporânea feita no Brasil. Lançado em 2006, é uma grande miscelânia de ritmos universais. A grande busca, a tal “verdade”, é a mistura que eles fazem na sua música; é como se o Pink Floyd sessentista tivesse caminhado pela música brasileira, levado pelos acordes da guitarra de Fernando Coelho, e arriscando também algumas interpretações precisas do cancioneiro popular brasileiro, contidas nos samples muito bem escolhidos por pelos riscos de Ismael Lima.

Outras referências presentes no disco e na produção do Mamma, são o jazz, sendo ditados pelas harmonias e melodias dos teclados de Fábio Pinc e no baixo de Vanílson Rodriguez, e levadas de trip hop que saem das baquetas ousadas de Ladislau Karlos. Os integrantes fazem parte de outros projetos como Seychelles e o tecladista Fábio Pinc, produziu os próprio e a banda paulistana Ludov. Em todo esse caldeirão sonoro de referências e influências, muitas vezes, ao ouvir o disco, temos a sensação de estar frente à uma grande tela e ver um filme sinestésico e lisérgico.

O disco está disponibilizado pra download no próprio site da banda.
Embarquemos na película e busquemos o que o Mamma Cadela procura…