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Luz Além (2012) – Mel Azul

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cover1. Ar
2. Dum Ohm
3. Assoalho Cubano
4. Caminhante Ambulante
5. IndoVindo
6. Interestelar
7. Súbita Calma

Há cerca de quatro ou cinco meses, os paulistanos do Mel Azul pintaram aqui no blogue com o primeiro trabalho do grupo, o EP homônimo de 2011. Na época do post, o disco Luz Além ja tinha sido lançado, mas achei mais interessante segurá-lo e falar primeiro sobre o EP, além de sacar melhor o desenvolvimento das ideias. Bem, chegou a hora do Luz Além, disco pesado que conta com 7 composições do quarteto paulistano, que além de nos abrilhantar com belos temas,  possui um trabalho de produção artística extremamente profissional, explorando as narrativas musicais que a música da banda possui e colocando isso em prática através de outras linguagens.

O disco lançado ano passado é extremanete denso, com as experimentações dosadas sob medida. Há momentos de delicadeza sublime, elevando espiritualmente a música, e outros, onde as andanças noise desconstroem a melodia que havia sido executada. A sonoridade, o timbre, continuam soando bem setentista, mas as ideias, que no EP se colocavam mais nos ritmos, nesse estão mais nas abstrações e nas dinâmicas dos instrumentos.  Há o explorar dos ritmos psicodélicos, mas no Luz Além a essência é a psicodelia.
Pra ouvir o Luz Além, clique aqui!

Recentemente, o Mel Azul lançou um clipe da música Caminhante Ambulante:

Parte 2 (2013) – União Thia

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Ervinha1. O Planeta
2. Mesmo Tempo
3. Pureza
4. Fela
5. Eu
6. Sagrado
7. Festa na Mata

Aproveitando a semana de lançamento do meneio e última sessão da série Cabeças que fazem Cabeças, pensei em fazê-las dialogar pra chegar no disco de hoje. A estréia é o segundo e fresquinho disco do projeto solo e caseiro União Thia,  produzido e gravado pelo guitarrista e compositor Marco Nalesso – que foi quem pilotou por último a nave da sessão que estreamos a pouco por aqui, e que convida alguém ligado à música pra discorrer sobre um disco instrumental.  Marco toca em outros projetos instrumentais como o Marco Nalesso e a Fundação (que esteve em nossas linhas) e o recém criado Habitante, que deve soltar mais material em breve.

O União Thia é uma mistura pesada de música eletrônica feita pelas programações, samples e alguns instrumentos sintetizados, e orgânica, onde Marco tocou guitarra, baixo e algumas percussões. Toda essa mistura muito bem recheada com muita música negra psicodélica e esfumaçada: dub, funk, cumbia, reggae, afrobeat e outras tertúlias brasileiras. É um sincretismo já existente nos trabalhos que Nalesso tem com os outros projetos e que chegam unidos e com belo o peso aos nossos ouvidos.

Pra ouvir o Parte 2, clique aqui!
Recomenda-se fones de ouvido para degustação…

Segue um clipe da música Óruba, presente no primeiro disco do União Thia, e lançado no início do ano:

Cabeças que fazem Cabeças #3 – por Marco Nalesso

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Terceira sessão do Cabeças que fazem Cabeças, sempre convidando alguém ligado à música de alguma forma pra debulhar um álbum instrumental pra gente. Pra esse, convidamos o músico Marco Nalesso, natural de Santo André, e que conta com uma bela bagagem musical, seja fuçando (prefiro esse termo à pesquisador) e/ou desbravando discos e músicas pelo mundão real ou virtual; ou também somando em uma das várias bandas que toca ou colabora (coloque nessas várias, algumas ótimas instrumentais como Marco Nalesso e a Fundação e a recém criada Habitante), além de músico, colabora também como produtor.

Percebo muita semelhença nos gostos musicas entre nós; essa é uma das razões pra desenvolver a ideia de trazer convidados pra falar sobre um disco de sua escolha. Além disso, nós nunca (e felizmente!) conheceremos tudo da música, já que sua existência é enorme e as variações em que ela foi produzida não cessam.
A intenção do blogue sempre foi aguçar a curiosidade minha e das pessoas em conhecer música boa (mesmo isso sendo relativo à cada qual) e descobrir e me apaixonar ainda mais pela música. O disco escolhido pelo Marco Nalesso vai de encontro a isso, pois eu não conhecia a obra do artista escolhido por ele, e à primeira audição me deu mais vontade de fuçar, apenas fuçar…

The Planets (1976) – Isao Tomita

2.0.1

Diretamente do planeta mais distante do universo, Isao Tomita, viajante e tripulante da nave mãe chama The Planets.
O disco foi lançado em 1976, todas as músicas são nomeadas de planetas e possuem orquestra de barulhos e efeitos, e programações universais onde qualquer chamado é vida nessa imensidão do universo.
O disco mostra uma historia passando por todos os planetas e neles há sempre uma mensagem: Isao captou momentos de euforia, alegria, tristeza, emoção e todos outros que passamos durante nossos dias aqui.

The Planets, são sete movimentos que Gustav Holst (1874, compositor inglês, arranjador e professor) compôs mais ou menos na época da Primeira Guerra Mundial. A intenção de Tomita parece ter sido feito sob ” idade do espaço “, versão da obra de Holst, tanto porque cada movimento representa um planeta (Marte ,Vênus Mercúrio, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno), nesta ordem:

1. Mars, the Bringer of War (Marte, Portão da Guerra)
2. Venus, the Bringer of Peace (Venus, Portão da Paz)
3. Mercury, the Winged Messenger (Mercúrio, o Mensageiro)
4. Jupiter, the Bringer of Jollity (Júpiter, Portão da Alegria)
5. Saturn, the Bringer of Old Age (Saturno, Portão dos Mais Velhos)
6. Uranus, the Magician (Urano, o Mágico)
7. Neptune, the Mystic (Netuno, o Místico)

Isao Tomita lançou mais de 20 discos e participou de diversas trilhas sonoras para filmes futuristas; FUTURISMO defini muito todo trabalho do mestre das teclas. Ouvindo o disco você consegue imaginar e sentir todos os ambientes inexplorados por Tomita.
Um belo desenho na capa do disco, uma espaço nave com um habitante descendo pela luz clara e amarela sobre a imensidão escura do nosso universo.

A aproximação de Tomita e Holst vale mais como uma exploração das possibilidades da música eletrônica; trabalhando em recursos de música clássica e adaptando-a às possibilidades do sintetizador, não tendo o poder militar de um orquestra sinfônica para desencadear o inferno necessário nos ouvidos da platéia.

Pra ouvir o disco, clique aqui! Boa viagem amigos….

Umbra (2013) – Herod Layne

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cover1. Penumbra
2. Collapse
3. Limbo
4. Blinder
5. Lumia
6. Silêncio
7. Antumbra
8. Umbra

Trazendo por aqui mais um lançamento da nova safra da música instrumental brasileira.  Já comentei anteriormente que o momento do gênero é muito massa no Brasil. Bandas novas surgem de baciada, discos são gravados com qualidade, e estilos musicais distintos dentro da música instrumental dão o tom do momento. Nesse contexto, ainda na primeira década do século XXI, na Babilônia pauista surgiu o Herod Layne. De início um trio, e posteriormente um quarteto, os caras acabam de lançar Umbra,  novo álbum que conta com diversas participações, maturou-se quase dois anos pra sair do forno e teve um belíssimo trabalho de produção.

A Herod Layne lançou em 2010 o disco Absentia, e de lá pra cá, além de diversos shows pelo Brasil, trabalharam na produção de Umbra.  O período que ficaram trabalhando no disco, rendeu um belo e formoso fruto. Umbra é um disco muito maduro. Calcado no post rock, pos metal, drone e noise, as experimentações do quarteto estão concisas e as faixas dão uma noção narrativa ao disco. As 8 faixas de Umbra estão muito bem  amarradas à temas soturnos e pesados que parecem nos levar aos lados e momentos sombrios de toda existência.

O disco foi disponiblizado na semana passada pra download, e você pode ouvi-lo, clicando aqui!

Pra coroar o lançamento de Umbra, trocamos uma idéia (via email) com o Herod Layne. Segue o papo:

Boca Fechada: Como foi o processo de produção de Umbra? Desde a idéia do crowd-funding, até o lançamento no ultimo dia 5?
Herod Layne: Umbra teve uma gestação de dois anos e alguns meses, se considerarmos as primeiras idéias e riffs criados. Na verdade, esse tempo longo se deve ao fato que, num primeiro momento, concebemos o álbum da maneira tradicional que sempre fizemos com os outros discos, e chegamos a um ponto de maturação suficiente para gravação da pré. Neste momento, criamos, desenvolvemos e disponibilizamos nossa própria plataforma de crowd-funding, o Buzzker, que nos trouxe bom retorno financeiro para seguirmos com um projeto ainda mais ousado: decidimos então não lançar o material gravado e envolver um produtor no trabalho. O Joaquim Prado, que já era nosso amigo de longas datas, surgiu na hora exata para topar esse convite. Aí foi quando de fato o Umbra que viria a ser lançado começou a tomar forma. O Joca desconstruiu não só os arranjos e as composições, mas a própria banda e seus equipamentos, e começou um processo minucioso de estudo e reconstrução com base no conceito do álbum. Foram levadas em consideração as influências musicais de cada membro, seus gostos em relação a timbragem e melodias, sua aptidão e conforto técnico com o instrumento e apetrechos… A banda se renovou e ressurgiu mais poderosa e pesada, quer seja em equipamentos ou idéias. Quando fomos para o estúdio gravar, os detalhes já vinham sendo discutidos e ensaiados havia tanto tempo que a gravação durou apenas 4 dias.

BF: Uma das diferenças de Absentia para o Umbra foi a entrada de Lippaus na guitarra. Além dessa mudança (ganhando mais em sonoridade e experimentações) quais outras modificações vocês percebem de lá pra cá?
HL: A entrada de um quarto elemento na banda era extremamente aguardada, pois a limitação de um trio, especialmente em apresentações ao vivo, é notória para bandas com um som pesado e carregado em arranjos como o nosso. E o Lippaus foi muito importante também na criação das músicas, complementando as composições com linhas melódicas inéditas para a banda ou mesmo trazendo das suas influências algumas idéias totalmente novas. O Joca foi outro fator transformador do grupo, pois o trabalho de coaching individual que aplicou em nós foi decisivo para moldar a pegada da nova Herod. Outra diferença foi o conceito fechado e claro para todos, sempre encarado como guia e pano de fundo para todo esse projeto, como se a cada momento soubéssemos exatamente o propósito de cada música dentro do conjunto da obra. Alguns veículos têm apontado que deixamos velhas influências de lado, mas não é verdade, pois influências apenas se somaram ao longo destes dois anos, nada foi subtraído, e hoje a Herod é uma banda intelectualmente e musicalmente muito mais madura.
Herod 02

BF: Me chamou atenção a participação dos vocais de Jair Naves, em Limbo e de Felipe Albuquerque em Blinder. Essas músicas originalmente já tinham a ideia de conter letras? Como escolheram Jair e Felipe?
HL: A idéia de convites inusitados sempre nos agradou, e quando compusemos “Limbo”, percebemos que a música era torta e esquizofrênica o suficiente para comportar os vocais do Jair. No final de 2011, abrimos um show dele em São Paulo, e ficamos maravilhados quando ele discursou ao público sobre a “coragem da Herod (então ainda Layne) em fazer sua música torta e incompreendida, por puro amor à sua Arte”. Ao final do show, agradecemos a ele e retribuímos com o convite para gravar os vocais. Mais de um ano depois, já na etapa final de gravação do disco em 2013, marcamos um ensaio para discutir o trabalho. Trocamos algumas idéias de referências, e o Elson indicou a ele um conto do Edgar Allan Poe chamado “O Poço e o Pêndulo”. Já na primeira tentativa de ensaio, a química rolou, e a banda era só sorrisos quando ouvimos o primeiro berro do Jair – o Sacha chegou a largar a guitarra para filmar aquele momento memorável! E no dia da gravação, dos três takes que fizemos, o que valeu foi o último, quando o Jair Naves já estava sem voz, rouco, urrando suas letras.
Com o Filipe Albuquerque foi um processo um pouco diferente, mas tão brilhante quanto o do Jair. A sua banda, Duelectrum, dividiu muitas vezes o palco (e os integrantes) com a Herod ao longo das suas histórias. Quando “Blinder” foi composta, a idéia seria que o Sacha mesmo cantasse as letras que escreveu. Porém, com a sonoridade que a música tomou após a reforma do Joca, percebemos o quanto o timbre shoegazer do Filipe caberia na música. Entregamos o texto para ele já com uma sugestão de linha vocal, mas ele a modificou completamente e tão apropriadamente que tornou a voz o principal elemento da música e enriqueceu demais o repertório do álbum.

BF: Lendo os comentários de uma das divulgações do Umbra, li uma coisa que me intrigou. Uma pessoa disse: “pena vocês terem nascido no país errado”. O que acham dessa afirmação e como é fazer música no Brasil no estilo das composições de vocês?
HL: Não podemos concordar que tenhamos nascido no país errado, afinal estamos indo muito bem na divulgação do nosso trabalho e a receptividade do público tem nos surpreendido positivamente. No entanto, o Brasil é indiscutivelmente um país de tradições musicais muito fortes, com vários estilos populares bem definidos, além de sofrer do monopólio das mídias de mainstream. Fazer música “experimental” neste cenário é um desafio muito maior do que seria submetê-la a um público mais aberto a novos sons, com cultura musical menos constituída. Quando fizemos uma turnê no Canadá, em 2009, pudemos perceber este fenômeno de perto já no momento em que agendamos os shows: bastaram poucos e-mails e tínhamos cinco apresentações garantidas em quatro cidades canadenses. O interesse e o conhecimento musical da platéia também foi muito marcante em nossas performances.
Lidar com as dificuldades no país dá um sabor especial ao nosso trabalho, e procuramos ver a coisa de uma ótica otimista: se levarmos meras 100 pessoas a um show da Herod, teremos a certeza que serão 100 espectadores extremamente interessados e conhecedores da nossa música. E o segredo para alcançar uma crescente exposição tem sido, indubitavelmente, a união e colaboração das bandas independentes para a criação e desenvolvimento de uma cena que vem tomando proporções muito animadoras.
Herod 04

BF: Vocês estão totalmente ligados ao selo Sinewave. Como enxergam o momento atual da música independente brasileira e acham que existe uma cena música instrumental no Brasil?
HL: Acho difícil definir uma cena instrumental no Brasil. Acho que acabaria tentando juntar bandas de diferentes estilos somente pelo fato de não terem vocalistas. É um critério frágil. Talvez dê pra teorizar uma cena experimental no Brasil, juntando bandas que procuram quebrar padrões, independente de terem vocais ou não. Nesse sentido, dá pra dizer que existe sim, e a Sinewave meio que tenta jogar uma luz e indicar um caminho. Quanto à música independente em geral, acho que o momento é parecido com o que rola no resto do mundo – um desequilíbrio de oferta muito maior que a demanda. Tem muito mais bandas do que público interessado. Isso torna a sobrevivência de uma banda quase impossível sem um bom emprego bancando as despesas. Mas artisticamente falando, o momento é ótimo, e a quantidade de ótimas bandas sempre aumenta.

Horizonte#1 (2013) – Aos Maníacos Símeis

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cover1. NNO
2. NO
3. ONO
4. Off-Off #1
5. OSO
6. SO
7. SSO

Desde a virada do milënio e a maior democratização no acesso aos bens de produção em música,  em todos os cantos do mundo, e claro, do Brasil, surgem artistas e bandas dos mais diversos gêneros. Com a música instrumental não é diferente. Nesses 13 anos de século XXI, muitas bandas do Brasil todo surgiram para o cenário, e uma das cidades que mais se destaca nesse gênero é São Carlos, no interior de São Paulo. Localizada a cerca de 240km da capital, a cidade é marcada por ter originado ou hospedado diversas bandas importantes da música instrumental brasileira mais recente: Pantomine Jazz, The Dead Rocks, Malditas Ovelhas! e Aeromoças e Tenistas Russas, são bons exemplos.

Cria desse movimento interessante feito na cidade, o Aos Maníacos Símeis, na ativa desde 2010, lançou a pouco seu primeiro registro: o disco Horizonte#1, pelo recém criado selo Caesar Simia Records. O registro é um bootleg divido em 7 faixas e gravado ao vivo.  É como uma fotografia do grupo, já que as faixas são de total improviso. O Aos Maníacos Símeis, mais que uma banda é um coletivo de improviso, e as “músicas”, assim como seu show, dificilmente serão ouvidos novamente. Os improvisos de Horizonte#1 indicam os elementos que compõe o laboratório símio maníaco: post rock, noise e experimentações lo-fi com timbres, pedais e osciladores.
Interessante trabalho desse coletivo instrumental, que podemos ouvir, clicando aqui!

Odradek (2013) – Porto

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capa finalcapa por Gustavo Rates

1. Capetinja
2. Mesmo que os amantes se percam, continuará o amor
3. As estrelas não são para os homens
4. Tau zero
5. E a morte perderá seu o seu domínio
6. Dezessete nós
7. Remédio para melancolia
8. A quarta hora

Richard Ribeiro é um dos músicos mais atuantes da cena independente paulistana há no mínimo uns 10 anos. Desde das bandas Debate e Diagonal, aos experimentos com o São Paulo Underground e as canções de Gui Amabis, vem deixando sua marca na música produzida na última década. No meio desse turbilhão sonoro, em 2006 encontrou tempo e necessidade de dar sopro à suas ideias e experimentos. É quando surge o Porto: projeto com poucos elementos – atualmente com Richard e o onipresente Regis Damasceno – e que começa a fazer sentido a partir das primeiras melodias que surgiam na cabeça de Richard. Em 2008 lança o EP Fora de Hora e 5 anos depois surge Odradek, nome retirado das leituras de ficção científica e realismo fantástico do músico e que também são inspiração para suas composições.

Percebe-se o Porto como linguagem para uma tentativa de entender nossa existência e cotidiano, se entrelaçando com leituras, filmes e a participação dos músicos em diversos outros projetos musicais, sendo manifestação da forma de ser e receber as ações interiores e exteriores à nós. Nota-se  isso em Odradek pois o disco, mesmo sendo composto por guitarra, bateria (instrumentos ligados ao rock) e vibrafone – além de alguns efeitos de percussão e eletrönicos – é extremamente sensorial e singelo. O diálogo com outros meios de entedimento do todo se materializam nas músicas, deixando os instrumentos e ideias a serviço dessa sensibilidade.

Odradek foi lançado no último 12 de agosto e disponibilizado gratuitamente pra download no site do projeto. (Você pode baixá-lo aqui). Outras informações também estão no site e no perfil do projeto no Facebook.
Junto ao lançamento, Capetinja, música que abre  Odredak é destaque no site do Canal Brasil, no progama Evidente. Veja! Essa e as outras composições do disco, serão tocadas ao vivo, amanhã (23/08) no lançamento de Odradek, na Serralheria, espaço bacana demais, localizado em São Paulo. Mais informações, aqui!

Pra celebrar esse grande álbum, conversamos por email com Richard Ribeiro, sobre o Porto, Odradek e outras cositas mais.

Boca Fechada: Conte como surgiu o Porto.
Richard Ribeiro: O Porto surgiu em 2006. Nessa época eu fiquei cada vez mais fascinado com a ideia de fazer musica com poucos elementos, isso me atraiu cada vez mais.
Comecei a fazer as músicas em casa, e aos poucos vi a necessidade de tocar algumas melodias que eu estava compondo pro Porto em algum outro instrumento além da bateria. Foi aí que pensei no vibrafone, pois é um instrumento ritmico e melódico. Então juntei os dois, como uma peça só, e isso fez todo o sentido pra mim.

BF: Desde 2008, época de laçamento do EP Fora de Hora, passaram-se 5 anos. Nesse período o parceiro de projeto e a música produzida sofreu alterações. Como vocë enxerga esses 5 anos de diferença pra história do Porto?
RR: Acho que a concepção do trabalho é a mesma de 5 anos prá cá. O Porto continua sendo um duo de bateria e guitarra. Sonoramente falando pouca coisa mudou. Além dos parceiros musicais serem diferentes, o primeiro disco teve metalofone e o segundo disco gravei vibrafone.
O que realmente trouxe algumas alterações são as coisas que durante esses 5 anos vivi e senti, coisas que nunca havia passado. A vida vai mudando… ela se transforma…vou descobrindo e sentindo coisas novas, e isso se reflete diretamente nas músicas e na história do Porto.

foto divulgac_a_o_portofoto de divulgação por Paulo Borgia

BF: Como é o processo de composição e como foi o de produção do Odradek?
RR: O processo de composição é bem sensorial, geralmente longe de qualquer instrumento. Começa com alguma melodia que vem a cabeça, que sugere algo, ou parte de alguma coisa que li, assisti ou vivi, que me emocionou, ou simplesmente parte de algo que não entendi. Aí então busco traduzir isso sonoramente.
Tenho grande identificação com obras (algumas de ficção cientifica) que criam um universo unico, estranho e muitas vezes fantástico, e que de uma forma peculiar acabam aflorando muitos sentimentos e questões humanas. Nesse sentido escritores como Stanislaw Lem, Theodore Sturgeon, Pillip K. Dick e Julio Cortazar sempre foram grande influência pra mim.
Sobre a produção foi tudo muito simples e rapido: gravamos em São Paulo com o Bruno Buarque no estudio dele que se chama Minduca. Todas as musicas estavam prontas, então a ideia foi registrar, como se tirassemos uma fotografia daquele momento. No primeiro dia gravamos todas as musicas, eu e o Regis tocando juntos, na mesma sala. No segundo fizemos alguns overdubs e no terceiro dia ja estavamos começando a mixar o disco.

BF: Você toca e já tocou com diversos projetos e/ou artistas da música brasileira. Como o Porto influencia neles e eles o influenciam?
RR: Não consigo ter uma resposta clara pra isso.
De 5 anos pra cá tive o privilégio de tocar com muita gente que tenho grande admiração. Durante esse tempo, acabei flutuando entre dois circuitos distintos, o da musica popular e o do underground. Isso de alguma forma me influênciou musicalmente. Agora não sei se há uma influência direta do Porto nas musicas dos artistas que acompanho. Cada artista  tem sua estética sonora propria, seu universo, sua forma de se comunicar e a primeira coisa que faço é respeitar isso. Então eu busco entender todo esse universo, mergulhar no mundo dele e tocar da melhor forma possivel sua musica.
Porto jpeg

BF: Existe uma cena instrumental brasileira?Cite bandas instrumentais que você acha legal.
RR: Entendo cena como algo mais amplo, algo que se sustenta, que seja autosuficiente. Nesse sentido não acho que exista uma cena instrumental brasileira. Ao meu ver não há casas de shows o suficiente que divulguem música autoral e nem público que pague por isso.
O que existe são inúmeros artistas fazendo música boa em todo lugar, muitos vem pra São Paulo, pois a cidade da mais oportunidades pra que você divulgue, venda discos e faça shows. Infelizmente ainda existe uma dificuldade imensa de tocar. Vejo cada artista fazendo seu corre do jeito que dá…tocando de vez em quando aqui… ali…
Algumas bandas que fazem musica instrumental de que gosto: Earth, Bobby Hutcherson, Brokeback, Codona, Kevin Drumm, David Axlerod, Gabor Szabo, Jorge Lopes Ruiz só pra citar algumas. Tem muita gente que faz coisa boa por aqui ultimamente como UAKTI, M.Takara, Catatau e o instrumental, Guizado, Bodes & Elefantes, Baoba (Stéreo Clube), Hurtmold, MDM, Objeto Amarelo

Mental Surf (2012) – Psilosamples

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1. Eterna criança do mato
2. Ovelha Negra
3. Estrada da terra
4. Coração de Urtiga (Interlúdio)
5. O príncipe da roça
6. Bom dia menina pelada!
7. Meteorango Kid
8. Ok, Zé da Roça
9. RÁleluia (Bonus Track)

Recentemente lançado, Mental Surf  é o mais recente trabalho de Zé Rolê, ou simplesmente Psilosamples. O disco, vazado no início do ano é uma obra da música eletrônica brasileiraDiferentemente da música eletrônica que estamos acostumados a ouvir, Mental Surf é fincado em solo brasileiro, com suas raízes passando pelo chão do interior de Minas Gerais, terra do Zé; percebemos isso nos samples e nos nomes das músicas.

Mesmo eletrônico, é um disco  muitas vezes na intimista, pois nota-se um belo trabalho de escolha de beats, timbres e “finesse” na pós-produção. Dá pra se ouvir na balada também, mas os detalhes e nuances, por vezes, te prende a um eletrônico mais intimista. Confira esse belo trabalho do Psilosamples, ou Zé Role, que esse ano, está escalado pra se apresentar na edição brasileira do festival Sonár.