Arquivo mensal: julho 2013

Espionagem Industrial (2013) – Camarones Orquestra Guitarrística

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Capa Espionagem IndustrialLado A:
1. Como Água no Pescoço
2. Peggy Loucura
3. Espionagem Industrial
4. A Trama
5. Festa dos Gatos
6.Ula-ula
7. Beijar Seus Pés
8. Surfando em Boa Viagem
9. Deleite
10. Bronx
11. Rock de Roqueiro

Lado B:
1. Carnastra
2. Terror em Buzarco
3. Ratazana Radioativa
4. Meu Nome por Aí
5. Baggiones
6. Trilha Invisível

Estamos na metade de 2013, e vários discos brasileiros já foram lançados. Entre eles, diversos da música instrumental; e dentre esses, o Camarones Orquestra Guitarrística, banda  de Natal/RN com 5 anos de estrada, acaba de fazê-lo. O Camarones – como é simpaticamente chamado – é umas das bandas independentes que mais rodou o Brasil e outros países do cone-sul, e chegam a seu terceiro registro: o álbum Espinonagem Industrial, lançado no primeiro semestre de 2013.

Ouvindo os outros discos dos potiguares, em Espionagem Industrial nota-se uma maior amadurecimento das banda. Processo comum, já que as ideias com o tempo ficam mais claras. O rock pesado, com muitas guitarras é quem manda no “Lado A” do disco, abrindo espaço no “Lado B” – com menos faixas – a mais experimentos, abusando de climas e paisagens criadas por sintetizadores e samples. É um disco que deixa claro tudo que influenciou na história e nas composições da banda, além de mostrar o caminho que estão traçando e que podem permear os trabalhos futuros da banda.

O disco foi disponibilizado pela própria banda pra download, e pra ouvi-lo clique aqui!

Além da resenha, fizemos uma entrevista com Anderson Foca, integrante do Camarones e grande produtor e trabalhador da música independente brasileira. Camarones, Espionagem Industrial, cena independente, dentre outras coisas, foram esmiuçadas nela:

Boca Fechada: Contem um pouco da história da banda: formação, influências, discografia, etc.
Andreson Foca: Começamos em 2008 com um projeto do Estúdio dosol, que é onde muitos dos caras que tocam rock na cena potiguar rondam há muitos anos. O plano era tocam com três guitarras temas de  desenhos animados, filmes e afins. Começamos a fazer pequenos shows e o público e a tour começaram a aumentar muito. No fim de 2008 para 2009 já tínhamos festviais importantíssimos na bagagem como Recbeat, Rock Cordel , Dosol entre outros, e ai resolvemos virar um banda com formação fixa. Gravamos nosso primeiro disco em  2010, em 2011 gravamos um segundo e acabamos de gravar o terceiro agora em 2013. Nesse período fizemos mais 300 shows em todas as regiões do país e fomos duas vezes para sulamérica passando por Uruguai e Argentina com vários shows. Basicamente é isso!

BF: Em Espionagem Industrial, percebemos uma melhor direção pra composições: menos experimentações, e as músicas mais concisas e diretas. Como foi o processo de composição e produção do disco, e quais diferenças vocês enxergam dessa disco pros outro trabalhos?
AF: Disco é momento. O primeiro trabalho que gravamos foi uma compilação de composições que tinha quase três anos. No Espionagem passamos um mês compondo todo dia, focados no disco e ficamos bem satisfeitos com o resultado final. Acho que o fato de termos um estúdio próprio e de poder praticamente juntar o processo de ensaios com a gravação facilita muito. Particularmente acho o disco mais diferente que gravamos esse último, o Curioso Caso da Música Invisível. Basicamente nossos discos são visões de mundo, mesmo que não tenha letras e também buscamos temas que a gente curta ouvir e dançar é um misto das duas coisas.

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BF: O Camarones é uma das bandas independentes que mais rodou pelo Brasil nos últimos anos. Traçe uma panorama de como está estruturada a música independente no Brasil. Se houve melhora ou piora e que futuro enxergam pa ela.
AF: Acho que o momento continua muito bom para quem tá no rala diário, na vivência da música; e continua com bastante dificuldade pro cara que leva a música mais no hobby, isso se dá porque os espaços não são tão vastos assim, então quem tá mais ligado e focado termina conseguindo mais coisas. O país em si está numa estagnada econômica, nem cresceu nem diminui e todos os setores da economia acompanham isso. Na cultura não é diferente. O momento é bom, mas pode melhorar, vamos ao trabalho!

BF: Existe uma cena instrumental brasileira? Como a música de vocês está conectada com as diversas bandas do gênero, e com a música (instrumental ou não) feita no Nordeste atualmente?
AF: Existe. Principalmente uma cena que se formou fora das academias de música e das escolas. No Nordeste são dezenas de exemplos que fica até dificíl citar. Só em Natal surgiram bandas instrumentais aos montes desde que começamos: Mahmed, Tesla Orquestra, Jubarte Ataca, entre outras. E estamos sempre tocando juntos, dividindo palco e contatos. Bem legal!

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BF: A maioria das bandas continuam vindo morar em São Paulo tentar a carreira, mas vocês continuam em Natal. Porque essa escolha de continuar por aí? As dificuldades e facilidades são as mesmas que o “Sul Maravilha”?
AF: Discordo, só a minoria faz isso. Acho bem mais viável para uma banda ficar em casa do que ir prum grande centro tentar se estabelecer (isso como banda). Fora de casa vc tem preocupações que não teria perto da família ou dos amigos (comer por exemplo, ehehehe).  Então sua prioridade passa a ser se sustentar em vez de se focar nas ações com música e cultura. Acho mais fácil fazer isso em casa. Sem contar que estamos a 3 horas de SP ou do Rio, não é necessário morar lá para fazer algum coisa no Sudeste. Acho que o Camarones por baixo tocou quarenta vezes nesses dois estados. Dá para se virar daqui muito bem.

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The Future Is Now_EP (2012) – toe

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Capa1. Run For Word
2. Tsuki Kake feat. Aco
3. Ordinary Days Ep Ver.
4. The Future Now

Os japoneses tem o hábito de ler de trás para frente,- a tal leitura oriental, que ocorre principalmemte nos mangás. Fazendo (sem querer) uma homenagem à esse hábito da cultura nipônica, trazemos pela primeira vez um disco da banda toe: o EP lançado ano passado e denominado The Future Is Now. A presença do toe por essas linhas se inicia de trás pra frente pois, esse é o ultimo trabalho lançado pelos caras. O EP contém 4 músicas – sendo 3 grandes pedradas instrumentais e mais outra “Tsuki Kake”, com participação da cantora Aco – pedimos aqui uma licença poética à música instrumental.

O toe tem mais de 10 anos de estrada e vários discos gravados. A música do grupo é o rock instrumental nascido na virada do século XX para o XXI, e comumente chamado de post rock.  Rótulos à parte, a música dos potentes japoneses é extremamente pontual, passeando e experimentando diversos temas e paisagens em suas composições. As linhas de guitarra em muitas vezes lembram a batida criada pelos afrosambas de Baden Powell, acompanhados de um baixo marcante, uma bateria insana com tempos totalmente quebrados e melodias sintetizadas de fazer chorar.
O futuro do toe chegou antes e se move agora. Pra nós, ecoa pela primeira vez e ao futuro (de trás pra frente).
Pra ouvir o disco, clique aqui!

A Love Supreme (1964) – John Coltrane

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1.Acknowledgement
2.Resolution
3.Pursuance/Psalm

Há quase 50 anos  um dos maiores artistas do século XX nos deixava; no dia 17 de julho de 1967, a música perdia um dos seus maiores expoentes: o saxofonista estadunidense John Coltrane.

Com o blogue dedicado inteiramente à música instrumental, essa triste data não poderia passar incólume, e para homenagear esse grande gênio da música ocidental, trazemos aqui seu disco mais famoso e emblemático, A Love Supreme. Gravado em 1964, foi um sucesso de vendas na época e um marco na carreira de Coltrane, elevando seu jazz à espiritualidade e sua latente ancestralidade africana. Nesse disco, Coltrane deixa claro o rumo que sua música seguiria em seus ultimos trabalhos realizados até sua morte prematura, aos 40 anos. É um grito de liberdade e retorno às tradições musicais do grande jazzista.
Um dado curioso, é que A Love Supreme foi executado ao vivo uma única vez, em 1965, na França. Felizes os ouvidos que tiveram esse privilégio.

Guardemos Coltrane em nossos sentidos e deixemos ele soar mais vivo que nunca.
Pra ouvir essa é pérola, clique aqui!

Clipe_Ignition (2013) – The Experience Nebula Room

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O Rio Grande do Sul está sempre somando pesado com a música brasileira;  e não é diferente com a música instrumental. Inúmeros grupos fizeram ou fazem parte dessa nova realidade. Recém surgida e parte desse atual momento da música instrumental brasileira, a The Experience Nedula Room faz um som pesado, com influência do rock da década de 70 e 90 – períodos muito férteis para o estilo.

O power trio gaúcho surgiu em 2011, tem um EP ao vivo lançado ano passado e acaba de lançar o clipe da música Ignition, com as inspirantes paisagens gaúchas de fundo,  que ganham sólido acabamento experimental ao som da banda. Se liguem:


Em breve, mais The Experience Nedula Room por aqui!

Legend (1973) – Henry Cow

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Cover

1. Nirvana for Mice
2. Amygdala
3. Teenbeat Introducion
4. Teenbeat
5. Nirvana Reprise
6. Extract From “With the Yellow Half-Moon and Blue Star”
7. Teenbeat Reprise
8. The Tenth Chanffich
9. Nine Funerals Of The Citizen King
10. Bellycan

Depois de 15 dias sem postar nada por aqui, e pedindo desculpas pra quem acompanha o blogue, voltamos às atividades. Hoje, retomamos à frutífera década de 70, umas das mais inventivas e originais e que ecoa em muito, na música mundial atual. Muitos dos estilos que hoje figuram como vanguarda, foram constituídos e tomaram corpo nos idos de 70. Um deles é o rock progressivo, inventivo de início mas, posteriormente maçante peloo “orgasmo” musical do virtuosismo mas, que originou e consolidou-se na passagem das décadas de 60 para 70.

O Henry Cow, banda inglesa – da cidade de Cambridge – é um desses grupos inventivos, e com apenas 10 anos de existência e 5 discos de estúdio, deixou marcas profundas na música produzida no período. Legend, seu primeiro disco de estúdio e gravado em 1973, trouxe caracteristicas que posteriormente fizeram sua música ser classificada no que se chamou de Avant-progressive rock –  mesmo sendo produzida anteriormente à seu emprobrecimento criativo. O grupo surgiu no final da década de 60, quando alguns integrantes começaram a criar o que seria essa mistura de jazz com a psicodelia criativa do rock do final da década; de início, a música do grupo teve forte influência do blues mas, com passar  do tempo e depois do contato com a música de Frank Zappa,  tomou  caminho mais livre. É essa música criativa e enérgica que encontramos em Legend.
Pra ouvir essa pérola, clique aqui!