Arquivo mensal: setembro 2012

Naturais e idênticos ao natural de pimentas da Jamaica e preta (2011) – Dibigode

Padrão

1. Barroca
2. Mariposa (A Lagartixa e o Urubu)
3. Mongra do Criolo Doido
4. Desfiladeiro
5. Deep Red
6. Debaixo D’ água
7. Foia de Loro
8. De leste

Naturais e idênticos ao natural de pimentas da Jamaica e preta, é o disco de estréia da banda mineira Dibigode. Lançado em 2011, o álbum impressiona pela riqueza de arranjos e experimentações e é resultado de quase 4 anos de tocadas sem nenhuma pretensão, apenas “dibigode” (de bobeira), conseguidas nos ensaios do grupo. O disco é um grande caldeirão de ritmos de dentro e fora do Brasil, como por exemplo na faixa “Mongra do Criolo Doido”, onde nos sete minutos de música, passeamos de um post rock para um samba, caindo num free jazz com linhas melódicas do saxfone que lembram temas mais voltados à música pop.

O disco teve uma inovação em seu lançamento: não saiu um cd físico. O álbum saiu no fomato de um livro, com ilutrações, fotos e textos que fazem referência às músicas. Quem compra o livro, tem direito à uma senha pra poder baixar o mesmo no site dos caras, porém, recentemente eles diponibilizaram o álbum pra download gratuito no próprio site e nos deram a oportunidade de ter contato com essa bela obra. O Dibigode é formado pelos músicos Antônio Vinícius (Melão): baixo, Gabriel Perpétuo (Bil): guitarra,  Guilherme Peluci (Big): sax alto e flauta,  Tiago Eiras (Geraldão): bateria  e Vicente França (Preah): guitarra, além da equipe audiovisual e de produção constituída em torno do projeto.
Pra ouvir esse petardo, clique aqui!

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Worm Love (2012) – Chinese Cookie Poets

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1. Plastic Love
2. Free the Monkey
3. En la Mano de Payaso
4. European School of Homegrown Worms
5. Chinaton Blues
6. Hakkeyoi
7. Discipline and Manners
8. The Worms – Junkay
9. The Worms – Koan
10. The Worms -Ziran
11. Worm Love

Preparem os ouvidos. Apresentamos aqui no Boca Fechada o primeiro disco cheio do trio carioca Chinese Cookie Poets (os caras tem outros EPs lançados anteriormente), que saiu esse ano e  foi chamado de Worm Love. Preparem-se, pois a fritação de neurônios acostumados à melodias mais sincopadas e de fácil audição estão longe da música composta pelo CCP. O trio faz atualmente na música experimental (junto com o MarginalS) o que mais de precioso e cabeçudo existe, colocando-a longe de classificações e usos errôneos e aproximando-a da sua raiz: experimentar, criar e incomodar.

É difícil conseguir notar as influências do trio, mas percebe-se pitadas de jazz, rock e um pouco de música brasileira. Quando escutamos e descobrimos que o CCP é do Rio de Janeiro, terra do samba, da bossa nova e mais recentemente do “funki”, rola um espanto, mas fica provado que para música não existem fronteiras, e também que a música experimental pode nascer nos mais inesperados lugares, como a terra da orla praiana e dos corpos sarados.
Pra deixar os ouvidos se abrirem à essa sinestesia musical, clique aqui e baixe o disco, disponibilizado pelos próprios caras pra download.

Pra acrescentar à essa bela obra, batemos um papo com o CCP, sobre o momento da música instrumental e independente, o processo de composição e como é fazer música experimental no Rio de Janeiro. Se liga:

BF: Como é fazer música experimental no Rio de Janeiro, que é conhecido por cantar suas belezas no samba ou na bossa nova?
CCP: Cada lugar tem o seu estilo musical típico, seja ele samba, bossa, guitarrada, hiphop. No nosso caso as implicações disso são tentar achar lugares pra tocar, já que a maioria das casas daqui trabalha com estilos mais populares, e deixar que esses estilos apareçam naturalmente na nossa música.

BF: Como voces enxergam essa nova música instrumental brasileira?
CCP:
Bem, posso falar sobre a música que mais me interessa, voltada para a improvisação e experimentação. No geral, há várias coisas acontecendo, uma cena forte, mas musicalmente me lembra aquela época em que o pessoal não tinha microfones e então os grupos instrumentais tinham uma guitarra ou sopro fazendo as vezes dos crooners.

BF: Vocês participam do mercado da música independente atual. Como analisam a estrutura da música independente hoje?
CCP:
Nosso movimento todo de divulgacão até shows é feito pela internet. Então acho que esse é o jeito atual de se fazer as coisas. A grande diferença é você poder falar com alguém diretamente sem ter que encarar uma burocracia pesada. Mas isso para o pessoal low-profile, porque quando começamos a falar de grana de verdade, e até a música independente depende de grana, tem sempre um caminho das pedras que não sei se se difere muito do mercado da música dependente.

BF: Ouvindo os disco de vocês, parece que tudo ali é improviso. É isso mesmo? Se não, como é o processo de composição de vocês?
CCP:
Depende do disco e da música. Provavelmente você está falando mais do Worm Love. Nele nós gravamos uma sessão de improviso de 40 minutos e depois editamos pra extrair os temas e formas que estão no disco. Só que isso desimprovisa o improviso, porque usamos repetições de temas, arredondamos coisas, damos uma encaretada na coisa toda. Mas funciona pra gente. E esse é um exemplo de um dos nossos milhares de processos composicionais.

Compacto 7″ (1972) – Airto Fogo

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1. Jungle Bird
2. Black Soul

Ainda não sabemos quem realmente é Airto Fogo; se o grande arranjador curitibano Waltel Blanco, ou o baterista frânces, Sylvian Krief. Dúvidas, estórias e mitos em torno da figura, aumentam à cada descoberta da obra fantástica deixada por esse “pseudônimo”. Esse compacto de 7 polegadas, lançado em 1972 vem na mesma linha do já postado aqui, Somatória do Barulho, de 1976. Um jazz funk com groove pesado e belos arranjos que lembram os mestres David Axerold e Idris Muhammad. Detalhe para a música Black Soul, que fez parte da trilha sonora internacional da novela “Cuca Legal”, de 1975.

Pra sentir e ouvir esse peso, clique aqui!

2 (2012) – MarginalS

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1. I
2. II
3. III
4. IV
5. V
6. VI-a
7. VI-b
8. VII
9. VIII

Quando o material em estado bruto está pulsante, vibrante e quente é impossível segurá-lo nas mãos. A solução é jogá-lo aos quatro cantos e deixar esquentar outros corações e mentes. É essa a impressão que temos ao ouvir os temas livres do disco mais novo do trio MarginalS, formado por Thiago França, Anthony Gordin e Marcelo Cabral. Simplesmente chamado de 2, as experimentações possíveis numa banda que trabalha com a improvisação livre, foram gravadas assim: os caras entraram um dia no estúdio El Rocha, gravaram a sessão que fizeram e saíram com essa pepita lá de dentro, pós produzida magistralmente por Fernando Sanchez.

É a música na sua linguagem mais pura – menos técnica, mais sentimento – e aberta às possibilidades que uma bagagem de anos de vivência dos músicos do projeto traz às improvisações. Músicos que vem modificando um pouco a cara da música brasileira, participando iventivamente de vários trabalhos recentes, elogiados por público e crítica. O simples prazer de tocar, trocar, resulta em belos frutos que nos surpreendem e muito. Tem-se a impressão que o disco não tem início, nem fim. Um caos organizado que ao seu fnal, parece continuar ecoando aos ouvidos.
O lançamento de 2 é na próxima segunda em São Paulo, no SESC Consolação; isso é certo, só não é certo se os temas aqui registrados serão tocados…que dúvida boa!
O disco foi disponibilizado pelos próprios pra download e pode ser ouvido, clicando aqui!

Haptics (2012) – The Cactus Channel

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1.Emanuel Ciccolini
2.The Colour Of Don Don
3.Derty D’s Thang
4.Budokan
5.Tom has Ideas
6.Level up
7.Boss Cat
8.Jungle Run
9.Under The Birdcage
10.Hot Teeth
11.Snap Kick That Fat Shit

Haptics é o álbum de estreia da big band australiana The Cactus Channel. Direto de Melbourne, a moçada vem ganhando o mundo com um som de responsa, um groove pesado embalado pelos saxofones, trompetes, guitarras, baixo, piano e bateria. Influenciados por James Brown, Budos Band e outros, fazem uma bela mistura de, entre outras coisas, funk, soul e afro-beat. Belo som, confere aí, só clicar e ouvir!

Elma_LP (2012) – Elma

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Lado A:
1. (Instrumental)
2. A Parte Elétrica
3. Fat Breath
4. Busca
5. Smagma

Lado B:
6. Zoltan Ri
7. Agente
8. Retrogosto
9. VATARNO_i Cavalcante_ii O Passo_iii Trono de Sangue_(mental)

Hoje é dia de lançamento da música instrumental brasileira! O ELMA, banda paulistana que comemora 10 anos de existência, lança seu primeiro disco cheio, chamado simplesmente de Elma_LP. Os caras possuem uma demo lançada em 2004, e um EP de 2006, lançado pelo extinto selo Amplitude. Desde 2006 estão num processo mais lento de composição, além de nesse período passarem por diferentes formações (atualmente o ELMA é formado por Fernando Seixlack – bateria, Ricardo Lopes – baixo, Paulo Cyrino – guitarra e  Bernardo Pacheco – guitarra, também responsável pela captação e mixagem do álbum). Depois de todo processo, chegam agora com seu primeiro álbum, que fisicamente sai apenas em formato de vinil e será lançado pelo selo Submarine Records, que há tempos atua no cenário independente, lançando trabalhos de grupos como Hurtmold, Bodes e Elefantes, São Paulo Underground, The Eternals, entre outros.

O Elma_LP reúne a principal referência das composições do quarteto paulistano: o heavy metal, porém, nesse trabalho, aliado à uma boa dose de experimentalismo, que era menos perceptível nos trabalhos anteriores. A visceralidade e o peso continuam muito atuantes nos temas construídos, porém, com um grande amadurecimento e busca por novas linguagens e referências. Essa maturidade foi conquistada por meio de 10 anos de uma consistente carreira, com diversos shows realizados em todo Brasil, desde festivais à inferninhos espalhados por aí.
O álbum tem lançamento oficial marcado pro dia 15 de setembro no Centro Cultural São Paulo, na capital paulista, mas hoje foi disponibilizado pela própria banda, em seu site, pra download.
Ouvimos e recomendamos mais esse belo lançamento da música instrumental brasileira!
Ficou curioso?! Então, clique aqui, e baixe-o!