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Edison Machado é Samba Novo (1964) – Edison Machado

Padrão

1.Nanã
2.Só Por Amor
3.Aboio
4.Tristeza Vai Embora
5.Miragem
6.Quintessência
7.Se Você Disser Que Sim
8.Coisa Nº 1
9.Solo
10.Você
11.Menino Travesso

Mais uma pedra preciosa da música brasileira, e das grandes.  Disco do carioca Edison Machado –  um dos mais importantes bateristas brasileiros, e talvez também, um dos mais esquecidos. Criador de conceitos em seu instrumento, foi responsável por criar a condução de prato no ritmo do samba. Assim, “Edison Machado é Samba Novo” é um disco que tornou-se referência para bateristas não só no Brasil mas em todo mundo. E não era pra menos, além de Edison Machado na bateira o disco conta com Tenório Jr. no piano, Sebastião Neto no baixo, Paulo Moura no sax alto, Pedro Paulo no trompete, Raul de Souza e Edson Maciel no trombone e J. T. Meirelles no sax tenor. É uma seleção brasileira! Edison Machado foi mais um músico brasileiro que morou e fez fama nos Estados Unidos, onde tocou com grandes nomes do Jazz como Chet Baker e Ron Carter.

Confira o release da contra-capa do LP:  “EDISON MACHADO – Há alguns anos passados, ainda garoto, apareceu tocando bateria – já nessa oportunidade, era o Sr. Ritmo – suas inovações marcaram época e pela primeira vez se ouviu samba tocado no prato. Não tentaremos definir nem explicar a maneira de Edison tocar, porque sua sensibilidade e sua técnica não podem ser definidas, nem explicadas com palavras – e a prova clara do que afirmamos é o fato de que, quando Edison viajou pela Europa, entusiasmou os povos daquele continente, magnetizando-os com a magia do seu ritmo. Nos EUA, Edison tornou-se ídolo de todos aqueles que tiveram a felicidade de ouví-lo, principalmente músicos. Nessa onda, também entrou Discos CBS, fazendo seus técnicos observá-lo na “Boite Baccarat”, do famoso “Beco das Garrafas”, a fim de que fosse possível estudar sua maneira de transpor para disco aquele som inconfundível. Aqui está o microssulco em questão, que foi realmente muito difícil de gravar. O resultado, porém, valeu o sacrifício de todos aqueles que com tanto carinho tomaram parte no trabalho. Necessário se faz explicar que os arranjadores e instrumentistas, componentes do conjunto que acompanha Edison neste LP foram escolhidos dentre os maiores músicos nacionais, e são eles: Moacir Santos, Paulo Moura, Maciel, Raulzinho, J. T. Meirelles, Pedro Paulo, Tenório Jr. e Tião Neto.”

Agora é só clicar e deliciar-se com esse belo som!

Etiópia (2012) – Sambanzo

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1. o sino da igrejinha
2. xangô
3. tilanguero
4. capadócia
5. xangô da capadócia
6. etiópia
7. risca-faca

A música instrumental brasileira não para de lançar pedras atrás de pedras. O saxofonista Thiago França, músico muito solicitado e ativo nos últimos tempos, acaba de lançar seu novo trabalho; trata-se do disco Etiópia do projeto SambanzoO projeto teve início em 2009 com a gravação e lançamento de algumas músicas, mas segundo Thiago, o projeto ganhou mais corpo nos últimos tempos. E que corpo! O disco é uma mistura fantástica entre ritmos brasileiros, africanos, latinos, com uma alma jazz ao fundo. Nota-se temas relacionados ao samba de gafieira, gênese do projeto, só que evoluido ao experimentalismo reinante nas melodias sinérgicas do sax de Thiago, nas bases e loucuras da banda que o acompanha, acompanhando o experimentalismo que é uma das novas caras da música instrumental brasileira

O disco é uma evolução da música do próprio Thiago, e essa evolução caminha no mesmo sentido da música instrumental brasileira produzida atualmente, com temas mais simples (sem punhetagem) e muito melhor explorados, deixando ouvidos e execução mais livres pra passear entre notas, timbres,melodias e ideías originais. Os músicos do disco são: Marcelo Cabral (baixo), Kiko Dinucci (guitarra), companheiros inseparáveis de Thiago em outros projetos, Samba Sam (percussão), Welington Moreira “Pimpa” (bateria) e o próprio Thiago França (sax tenor). Todas as composições, execeto as músicas 1 e 2 são do saxofonista, e arte também é de Kiko Dinucci e a produção o disco é de Rodrigo Campos, grande compositor e do próprio Sambanzo.
O disco foi disponibilizado pelo próprio Thiago no site do projeto! Aproveite!!

Trocamos uma ideía com Thiago França, sobre Sambanzo, sua particpação em outros projetos, música instrumental e outras cositas. Se liga!:

Boca Fechada: O que significa Sambanzo? O nome também está na estética das músicas? Você lançou algumas músicas em 2010, já com o nome de Sambanzo. Como as vê e hoje e em relação à Etiópia?

Thiago França: “Sambanzo” é uma palavra que eu acho que criei, é a junção de SAMBA + BANZO. A tradução de banzo é a saudade que os negros (escravos) sentiam da África. Pesquisando no Google, descobri que existe uma cidade em Moçambique chamada Rio Sambanzo Pequeno. Quando criei o Sambanzo, no final de 2009, o samba era muito mais óbvio como matriz estética e melódica. Esse projeto é um desdobramento direto do meu primeiro disco, “Na Gafieira”. De lá pra cá a formação mudou bastante e o som também. Gravamos um primeiro disco, em 2009, que está engavetado por uma série de questões. As quatro faixas do SoundCloud são parte desse disco, que tem um total de 13 faixas. Escolhi essas quatro por achar que tinham mais a ver com o que a proposta se transformou pra lançar esse single.
http://soundcloud.com/thiagosax/sets/sambanzo/

BF: Você participa de diversos projetos com grande repercussão nos últimos tempos, e como músico soma com artistas importantes do cenário atual da música brasileira. Como isso influencia em suas composições e no Sambanzo?

TF: Cara, não sei te dizer. Cada projeto que a gente realiza tem vida própria. O Metá é bem próximo do Sambanzo por ter eu e o Kiko, mas ainda assim, são vidas paralelas dentro de um mesmo universo. O trampo do Romulo não tem nada a ver com o Sambanzo, Criolo,  MarginalS, nem com o “Bahia Fantástica “do Rodrigo Campos. O trampo do Criolo não tem nada a ver com Metá nem com o do Rodrigo. O processo de gravação do disco do Gui Amabis e da CéU, também não tem a ver com o Sambanzo, Metá, Rodrigo, Romulo ou MarginalS. O próprio MarginalS, que tem eu e o Cabral, não tem a ver com o Sambanzo. Entende? De alguma forma, acho que tudo isso conversa, mas estou muito dentro pra conseguir enxergar. Talvez, só seja possível daqui um tempo.

O que influencia o Sambanzo são os caras que tocam comigo, Pimpa, Samba, Cabral e Kiko. Eu componho pro Sambanzo, pensando neles, no jeito de cada um. Não adianta você fazer um músico tocar aquilo que ele não entende ou não sente, vai sair forçado. Então acaba rolando um lance meio “tecla SAP”, foco num tipo de composição, faço as músicas pra elas funcionarem com a nossa sonoridade e com o nosso jeitão de tocar. Não sou colecionador de músicas próprias, componho conforme a minha necessidade de tocar. E sem pressa, só desenvolvo uma idéia quando acho que é realmente boa, que possa acrescentar algo único ao repertório. Deixo as idéias azeitando, às vezes, por anos. Fica na minha cabeça um groove, uma frase, etc… e uma hora sai.

Quando eu me dedicava mais ao choro, era diferente. Pra fazer a noite, você precisa de 40 a 60 músicas. Eu compunha muito, mas tudo dentro do mesmo estilo. É um pouco limitado, os caminhos de harmonia são muito rígidos, clichês, e até as variações são clichês. No fundo, as melodias se parecem muito,  não que falte inspiração, mas todas elas têm o mesmo “sabor” porque a espinha dorsal de cada uma já tá pronta. Saca? Com o Sambanzo, eu fujo disso.

E muitas vezes, o que te impulsiona a compor é algo completamente improvável. Pela correria, distância, ou por falta de envolvimento dum músico com um projeto, é muito difícil conseguir ensaiar aqui em São Paulo. Isso me deixava um pouco frustrado. Além disso, eu ficava com raiva quando um músico esquecia a pasta de partitura e não dava pra tocar algum som. Por isso eu comecei a compor nesse esquema de dois acordes, pra não precisar de partitura nem de ensaio, meio de birra, é só chegar na hora e dizer: “ó, essa aqui é um , a harmonia é dó menor e sol com sétima”. E pronto! E foi assim o primeiro show do Sambanzo com essa formação que ficou, sem ensaio, sem partitura, tudo na hora.

BF: Você mencionou que tocou choro antes de enveredar pra esse tipo de musica mais livre, distante da partitura. Essa é uma característica da musica instrumental que vem sendo feita atualmente. Quando tocava choro percebia algum tipo de preconceito dos músicos do choro em relação a essa musica mais livre? Como você enxerga essa musica instrumental feita atualmente no Brasil?

TF: Quando eu tocava choro, samba e forró, sentia uma resistência grande do pessoal contra qualquer tipo de mudança, por menor que fosse. Esse gêneros são muito formatados, tanto pelo lado musical quanto pelo lugar onde acontecem. E existe demanda (ainda bem!) O que acontece é que, a maioria dos músicos começam a trabalhar muito antes de desenvolver a sensibilidade, sem nenhum questionamento artístico, duma forma bastante mecânica, usando modelos prontos. Não acho que era exatamente um preconceito, no sentido de não gostar de nada além daquilo, muitas vezes parecia preguiça, de “mexer em time que tá ganhando”. Assim, qualquer coisa além do formatado é desnecessário ou esquisito. Eu lembro que quando mostrei o EWI (Eletric Wind Instrument, uma espécie de sax MIDI que eu uso bastante no MarginalS), pro pessoal que tocava comigo, eles rolaram no chão de rir, achavam que eu tinha enlouquecido.

 Há uns dez anos atrás, quando todo mundo resolveu gostar de samba e choro de novo, e muito graças a ascensão do forró na classe média durante os anos 90, bastava tocar. A simples execução da música era um assunto. Hoje em dia, o próprio público já sacou que só isso não dá mais. Nesses dez anos, apareceu um ou outro cara tocando bem de verdade, mas tocando coisas que já foram entendidas há muito tempo, sem grandes contribuições. No balanço geral, os grandes caras continuam sendo o Cartola, o Noel, o Nelson Cavaquinho, Pixinguinha, Jacob… A coisa vai ficando cada vez mais engessada e o público cada vez mais ávido por algo novo, não no sentido consumista da coisa, mas no sentido de que as pessoas querem ser surpreendidas.
A música instrumental mais livre ganha cada vez mais espaço por ter frescor de ritmo, estrutura, melodia, harmonia, timbre, instrumentação, texturas e sobretudo dinâmica – caráter mal explorado em outras vertentes instrumentais. Você vai do silêncio ao caos! Há uma riqueza muito maior de nuances dentro de cada música e ela é muito mais visceral por não estar atrelada a nenhum modelo. Tá muito longe do rigor técnico da academia, tá mais próxima ao sentimento, duma vontade mais legítima de tocar.
A intenção, a postura, de tocar é outra também. Você vê os músicos muito mais envolvidos pelo som, rola um transe coletivo entre quem toca e quem ouve. E a gente se leva menos a sério, tem mais espaço pra experimentação. Coincidentemente, os sons instrumentais mais interessantes são feitos por quem veio do rock, do punk… com formações não tradicionais. Aos poucos, mais gente consegue se desvencilhar dos modelos padronizados de música instrumental, e da idéia de que o bom instrumentista é aquele que consegue tocar mais notas por segundo.
No Sambanzo, a elasticidade dos arranjos me interessa muito porque dá liberdade pra todo mundo criar, há mais espontaneidade, o som ganha vida e se torna único. Quando o músico está livre, é possível extrair o que ele tem de melhor.

Lançamento “Sambanzo: Etiópia” – Thiago França

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Thiago França, saxofonista que está em todas ultimamente, acaba de lançar um novo trabalho. Trata-se no disco “Sambanzo: Etiópia” Hoje tem lançamento no SESC Pompéia e semana que vem o disco tá por aqui!!

Serviço:

Lançamento do disco “Sambanzo: Etiópia – Thiago França
Local: Choperia SESC Pompeía – Prata da Casa
Quando: 13/03 (terça-feira) às 21hs
Entrada Gratuita

Ouve aí um pouco do Sambanzo!:

O Sino da Igrejinha
Etiópia

Maria Fumaça (1977) – Banda Black Rio

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1.Maria Fumaça
2.Na Baixa do Sapateiro
3.Mr. Funky Samba
4.Caminho da Roça
5.Metalúrgica
6.Baião
7.Casa Forte
8.Leblon Via Vaz Lobo
9.Urubu Malandro
10.Junia

Da cena Black Power no Rio de Janeiro, segunda metade da década de 1970, surgiu a banda Black Rio. Músicos da pesada que fizeram um trabalho musical que não somente era dançante como também misturava os grooves do samba e do funk com a musicalidade do jazz e do soul.  Belos arranjos, metais inflamados misturados ao som da cuíca, pandeiro e tamborim. Sonzera!!!

Em 1999, a banda retomou suas atividades com nova formação, liderada por William Magalhães, filho do falecido membro-fundador Oberdan Magalhães. No vídeo abaixo, a nova formação da banda manda “Mr. Funky Samba” do disco Maria Fumaça.

Elefantes na Rua Nova (2011) – Caçapa

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1. Baiano-Rojão nº01
2. Coco-Rojão nº01
3. Coco-Rojão nº03
4. Baiano-Rojão nº02
5. Coco-Rojão nº02
6. Samba de Rojão nº01
7. Rojão nº01
8. Coco-Rojão nº04

O compositor, arranjador, produtor musical e violeiro Rodrigo Caçapa lançou em 2011 eu primeiro disco solo – Elefantes na Rua Nova. São oito temas instrumentais gravados com um baixolão, algumas percussões e três violas caipiras ligadas em pedais de efeitos. Os temas são ritmos de danças populares: côcos, baianos, rojões e um samba. Além de baixar o som, confira os videos sobre o processo criativo das composições e arranjos.

Samba Instrumental (1973) – Os Carbonos

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1. Eu bebo sim
2. Ao velho poeta Pixinguinha
3. Tristeza pé no chão
4. Boi da cara preta
5.  Do you like samba?
6. Mexe-mexe
7. Carinhoso
8. Retalhos de Cetim
9. Cachaça Mecânica
10. Orgulho de um sambista
11. Kriola

Pra não dizer que deixamos o carnaval passar em branco, vai aí uma manifestação carnavalística sem palavras, em forma de uma pedra instrumental. A tal, é o disco “Samba Instrumental” do grupo Os Carbonos, que no álbum fez releituras instrumentais de grandes sucessos do samba: “Eu bebo sim”, “Carinhoso” e “Kriola” são algumas das escolhidas. A especialidade do grupo sempre foi o que chamamos de música cover e essa mesma formação trocou de nome diversas vezes: Andróides, The Mackenzie Group, Carbono 14 e The Magnetic Sounds são algumas das alcunhas escolhidas.

Os Carbonos formaram-se na década de 60 na cidade de São Paulo, em plena efervescência da Jovem Guarda, o “iê-iê-ië” brazuca. É importante notarmos que na mesma decáda de 60 e 70, o samba, antes marginalizado, é posto como estandarte da cultura nacional; época em que o nacionalismo era exacerbado ao extremo, em vias de criar-se uma identidade brasileira, desejo grande da diadura militar. Nada mais justo que “Samba Instrumental” tenha essa mistura. O ritmo genuinamente brasileiro, percebido nas levadas ritmicas do grupo, soma-se ao teclado “àlá” Lafayette, além de guitarras chorosas e backings vocals que passeiam entre o “iê-iê-iê” e samba.

A mistura cai bem nesses dias de folia…Por vezes calmo, romântico ou quente, um dos ritmos carnavalescos encontra-se muito bem homenageado.
Confira!!

Confusão Urbana, Suburbana e Rural (1976) – Paulo Moura

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1. Espinha de bacalhau
2. Notícia
3. Bicho papão/Tema do Zeca da Cuíca
4. Carimbó do Moura
5. Se algum dia
6. Peguei a reta
7. Amor proibido
8. Dois sem vergonha
9. Eu quero é sossego
10. Dia de comício
11. Pedra da lua

Disco clássico do grande instrumentista brasileiro Paulo Moura, que reuniu uma galera de peso para realizar este trabalho. Entre essa galera estão Toninho Horta, Wagner Tiso, Rosinha de Valença, Raul de Souza, Altamiro Carrilho e outros. O título – Confusão Urbana, Suburbana e Rural  – rotula (no bom sentido) muito bem essa bolacha recheiada de sambas, carimbós, maxixes, choros e baiões. Degustem!!!

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