Arquivo da categoria: Jazz

Codona_1 (1979) – CoDoNa

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Codona - front

1. Like That of Sky
2. Codona
3. Colemanwonder
4. Mumakata
5. New Light

Naná Vasconcelos é um dos músicos brasileiros mais respeitados e requisitados pelo mundo. Tem em sua carreria uma extensa discografia “solo” e inúmeras participações e colaborações com músicos de todos os cantos do planeta. E foi isso que aconteceu no projeto Codona, denominado assim, simplesmente pelo início dos nomes dos grandes músicos que fizeram parte desse trio maravilhoso, que lançou 3 registros em fins da década de 70 e início dos 80; os músicos são (Co)llin Walcott, (Do)n Cherry e Na(ná) Vasconcelos.

Vindo de países e escolas musicais distintas, o trio se encontrou nessa série de discos, repletos de referêncas, instrumentos e ritmos da música mundial. O jazz e a música concreta encontraram na percussão afro brasileira  de Naná, repouso para um majestoso diálogo que ocorre nas 5 músicas do disco, compostas ora por Collin Walcott que tocou as cordas do álbum, ou Don Cherry, responsável pelos metais, e adicionando à elas cânticos e batidas afropsicodélicos. Um belo encontro para além de fronteiras espaciais, mas próximas metafisicamente.
Pra ouvir, essa pérola, clique aqui!

A Hora e A Vez da M.P.M. (1966) – Rio 65 Trio

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capa1. Cartão de Visita
2. Deve Ser Bonito
3. Simplesmente
4. Apelo
5. O Amor e o Tempo
6. Vem Chegando a Madrugada
7. Chorinho “A”
8. Upa Neguinho
9. Rio 65 Trio Tema
10. Ilusão à Toa
12. Ponte Área
13. Seu Encanto

Formando na década de 60 com a proposta de sincretizar a música brasileira, principalmente a bossa nova e o samba com o jazz, o  Rio 65 Trio lançou poucos discos (dois), mas teve importância grande no processo de transformação e solidifcação dos ritmos brasileiros. Com músicos sensacionais como o pianista Dom Salvador, responsável posteriormente a ser um dos primeiros compositores do funk brasileiro da década 70; Edison Machado, exímio instrumentista que fez a bateria brasileira ser reconhecida pelo mundo, e pelo pulsante baixista Sérgio Barroso, A Hora e A Vez da M.P.M. é o segundo e último disco da carreira do trio, formado no Beco das Garrafas, no Rio de Janeiro.

A tal “M.P.M”. é sigla para “Música Popular Moderna”, e diz muito sobre a sonoridade que o trio incumbiu-se de fazer. Com apenas uma composição de um dos integrantes, a “Rio 65 Trio Tema”, de autoria de Dom Salvador, os músicos fizeram versões modernas e intensas de diversos clássicos da música popular brasileira, como “Upa Neguinho” de Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri, imortalizada na voz de Elis Regina; “Apelo” de Baden Powell e Vinicuis de Moraes e “Vem Chegando a Madrugada” de Noel Rosa e Zuzuca, além de gravarem outros compositores importantes como Marcos Valle, Zé Keti, Jhonny Alf e Carlos Lira. Disco interessante pra percebermos a transição da música popular brasileira ocorrida na década de 60, adicionando à ela elementos da música mundial.
Pra ouvir essa pérola, clique aqui!

Mel Azul_EP (2011) – Mel Azul

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Capa1. Máquina Malvada
2. Surfista de Trem 22hs.
3. Descarrego
4. Tributo
5. Apo

Alexandre Silveira, Antonio Carvalho, Antonio Paoliello e Gustavo Prandini fomaram o Mel Azul em 2009, e esse EP,lançado dois anos depois dessa formação, é o primeiro registro da banda de funk rock psicodélico. O EP homônimo é composto de 5 músicas gravadas numa sessão de improviso, e mostram principalmente as influências e a sonoridade do quarteto instrumental.

É nítida a estética influenciada pela música negra das décadas de 60 e 70, principalmente o funk, o jazz e o rock, unindo-os à texturas eletrônicas e sons mais etéreos causados pelas linhas psicodélicas dos teclados e riffs agressivos de guitarra. O EP lançado em 2011, é só uma amostra do disco Luz Além que lançaram em 2012, e que em breve pinta por aqui!
Enquanto Luz Além não passeia por aqui, ouçam o EP do Mel Azul, clicando aqui!

E prra ficarmos com o gostinho do álbum cheio lançado ano passado, os caras acabam de lançar um clipe de uma música do disco. Se liga!:

A + B (2012) – Quarto Sensorial

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Quarto Sensorial - A + B (Cover)1. Biotônico Ferreira
2. Inferno Astral
3. Voo Livre (parte 1)
4. Voo Livre (parte 2)
5. 08’59 am
6. La Gambiarra
7. Samba Cafeinado

Na estrada desde 2007, os gaúchos do Quarto Sensorial lançaram ano passado seu primeiro disco cheio: A + B, depois do EP de estréia denominado “Quarto Sensorial“, lançado em setembro de 2009. O disco foi gravado e produzido em Porto Alegre, cidade com importantes bandas instrumentais como a já extinta Pata de Elefante e o Reverba Trio, além de outros belos trabalhos instrumentais como o de Marcelo Armani. Essa grande leva de artistas gaúchos confirma o que Renan Ruiz disse na entrevista com a banda Catexia feita na semana passada: ‘é difícl algum estado brasileiro não ter uma banda ótima de música instrumental”. Fato!

A + B, como os próprios músicos dizem é um laboratório de ritmos e experimentações, pois o power trio formado por Bruno Vargas (baixo), Carlos Ferreira (guitarra, violão e programações) e Martin Estevez (bateria e percussão) mistura com muita criatividade o jazz/fusion latino com passagens minimalistas e rock progressivo, e ritmos brasileiros como o samba com o post rock, criando paisagens sonoras que levam da tranquilidade à intensidade dentro da mesma composição. Mais uma prova do belo momento que a música instrumental brasileira vive.
Pra ouvir A + B, clique aqui!

Matança do Porco (1973) – Som Imaginário

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32267_11. Armina
2. A3
3. Armina (Vinheta)
4. A#2
5. A Matança do Porco
6. Armina (Vinheta 2)
7. Bolero
8. Mar Azul
9. Armina (Vinheta 3)

O Som Imaginário é uma das bandas instrumentais mais importantes da música brasileira. Cria mineira do início dos anos setenta, em princípio foi formada apenas pra acompanhar Milton Nascimento no show “Milton Nascimento, ah, e o som imaginário”. Porém, ganhou vida próprio e gravou durante os anos em que existiu três discos autorais: os epônimos Som Imaginário de 1970 e 1971, respectivamente, e o ótimo Matança do Porco, lançado em 1973. Além de, ainda com Miltom ter sido a banda de base do histórico show e disco O Milagre dos Peixes, também de 1973.

Em todos os discos do Som Imaginário, as composições de Wagner Tiso sempre foram as mais gravadas pelo grupo. Porém, no disco de 1973 – que contou com os vocais harmônicos do próprio Milton Nascimento – toda concepção é de Tiso, que viria posteriormente como arranjador, trabalhar com Gonzaguinha, Dominguinhos e o próprio Bituca, além de outros grandes da música brasileira. O Som Imaginário foi um grande laboratório para os músicos que por lá passaram: Tavito, Zé Rodrix, Toninho Horta, Robertinho Silva, Luiz Alves, até Naná Vaconcelos, entre outros. O laboratório experimentava soluções musicais que iam do jazz à música brasileira, do rock progressivo à música erudita. Um dos resultados mais brilhantes foi Matança do Porco, um dos discos mais fantásticos e emblemáticos da música instrumental brasileira.
Pra ouvi-lo, clique aqui!

On the Corner (1972) – Miles Davis

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Capa

1. On the Corner
2. New York Girl
3. Thinkin’ One Thing And Doin’ Another
4. Vote For Miles
5. Black Satin
6. Onde and Onde
7. Helen Butte
8. Mr. Freedom X

Decididamente um dos discos mais polêmicos da história do jazz é On The Corner, cria de um dos músicos mais excêntricos, genias e incompreendidos do ritmo negro nascido na América do Norte. Lançado em 1972, essa obra de Miles Davis à época de seu lançamento, foi amplamente criticada por jornalistas, fãs e músicos do jazz, graças à grande novidade e mistura para que a música de Miles apontava. No fim da década de 60, Miles teve contato com a música de Jimi Hendrix e a partir daí seu jazz eletrificou-se e foi alçado a diálogos com sintetizadores, pedais de efeito, instrumentos eletrônicos, a música contemporânea de Stockhausen e o funk, ritmo recém nascido no final da década de 60.

On The Corner é uma grande jam de músicos fudidos. Entre eles: Chick Corea, Herbie Hanconk John MachLaughlin, também responsáveis por eletrificar o jazz. Ao dar play nessa grande obra, recebemos um grande murro no queixo. O disco começa com quatro músicas que na verdade são apenas uma pedrada: On the CornerNew York GirlThinkin’ One Thing And Doin’ AnotherVote For Miles, e nessa linha segue em todos seus 50 minutos. Grande parte dos críticos, dizia que o disco era repetitivo, esquisito e não significava nada. Na verdade, o que Miles fez, foi não repetir a forma em que jazz caminhava há muitas décadas, dando à ele um novo conceito e estética musical.
Pra baixar essa pedrada, clique aqui!

Slaves Mass (1977) – Hermeto Pascoal

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capa

1. Tacho (Mixing Pot)
2. Slave Mass (Missa dos Escravos)
3. Chorinho Para Ele (Little Cry For Him)
4. Cannon
5. Escuta Meu Piano (Just Listen)
6. Aquela Valsa (The Walts)
7. Geléia de Cereja (Cherry Jam)

Hermeto Paschoal dispensa comentários e maiores apresentações. Considerado um dos maiores músicos brasileiros e também um dos mais marginalizados da história da nossa música, está há quase 50 anos colocando a música brasileira pra frente. É um dos artistas mais inventivos e genias da música popular, capaz de transformar a música mais rústica vinda do interior do Nordeste e referência para suas composições, em música moderna, atonal e à frente de seu tempo.

Em 1977, época em que estava em Nova York gravando com Airto Moreira e Flora Purim, foi convidado a gravar essa grande obra de sua discografia, o disco Slaves Mass ou Missa dos Escravos. A tal “missa”, reúne tudo que faz parte do imaginário fantástico das composições de Hermeto: os ritmos africano e o jazz, misturados à vários elementos do sertão, desde ritmos como toada, baião e maracatu, à animais presentes em seu cotidiano de infància em Lagoa da Canoa, município alagoano onde nasceu. Além de nunca esquecer do choro, ritmo genuinamente brasileiro e sempre presente na carreira do artista.

Um desses animais participou como instrumentoem uma das faixas, demonstrando a originalidade do compositor. Na música que dá o nome ao disco, um porco teve seus grunidos gravados e misturados a cânticos e melodias que fazem referência a história do músico e aos ritmos da música negra. Outro detalhe interessante das músicas de Hermeto, é que na maioria das suas composições a voz se faz presente; não cantando, mas sim, participando hamonica e melodicamente na construção dos arranjos, ou funcionando como pequenos samples.
Mais uma grande obra dessa mestre da múscixa brasileira. Pra ouvir Salves Mass, clique aqui!