Bixiga 70 (2013) – Bixiga 70

Padrão

Bixiga 70 (2013) - capa1. Deixa a Gira Girá
2. Ocupaí
3. Kalimba
4. 5 Esquinas
5. Kriptomita
6. Tigre
7. Tangará
8. Retirantes
9. Isa

Um dos discos mais aguardados desse ano é o novo da banda paulistana Bixiga 70. Praticamente uma big band, o combo formado pr 10 músicos, chega com seu segundo álbum, depois do aclamado primeiro, lançado em 2011. Desde o primeiro (também homônimo) dois anos se passaram e muita coisa mudou no mundo, e também na música do Bixiga 70. Os caras fizeram turnês na Europa, shows pelo Brasil todo e participaram de dois projetos interessantíssimos: o Gil 70, encabeçado por Lucas Santtana, tocando músicas de Gilberto Gil da referida década e Saltimbancos, executando com diversas participações a obra infantil escrita por Chico Buarque.

Com esse monte de ocorridos, a música da banda não ia passar ilesa. A mudança nas composições é evidente, muito mais maduras e apontando pra outros diversos ritmos e experimentações. No primeiro disco, a influência do afrobeat é notória; outros ritmos estão ali mas, o groove delicioso criado por Fela Kuti, é célula básica das composições. O segundo, assim como o Bixiga, se abriu pro mundo! Além do afrobeat e do funk, as composições dialogam com outros diversos ritmos latinos: salsa, cumbia, merengue, etc.; africanos: jazz etíope música iorubá e também brasileiros como o samba e o baião, tudo isso regado á muita psicodelia nas linhas de guitarra e/ou sintetizador.
Discão, que pra ouvir basta clicar aqui!

Fizemos umas perguntinhas pro Bixiga, e quem teve a função de responder foi o saxofonista Cuca Ferreira. Segue:

Boca Fechada: Li que vocês fizeram cerca de 500 horas de ensaio pra gravação do disco, além de trocarem vários emails, etc. Contem um pouco como foi o processo de produção desse disco, já que vocês são em 10 músicos, que não tocam só no Bixiga. Foi rápido, lento? Foi mais virtual ou de corpo presente?
Bixiga 70: Foi totalmente de corpo presente! Na verdade boa parte do repertório do disco a gente já vinha amadurecendo no palco. A gente fez muitos shows desde o lançamento do primeiro disco, e aos poucos foi desenvolvendo e incluindo no show músicas que agora estão no segundo disco. Mas desde o começo do ano a gente se trancou no estúdio Traquitana (que é a nossa casa) e aí mandou ver nessas 500 horas de ensaio, se preparando pra gravar. Depois dessa maratona, gravamos em apenas uma semana ao vivo no estúdio.

BF: Basicamente vocês trabalharam com a mesma equipe de produção que no primeiro disco. Ainda nele, como foi a escolha dessa galera?
B70: São artistas com os quais a gente se identifica há muito tempo, e desde o primeiro disco começou a trabalhar junto. MZK, que fez a arte, é DJ, super envolvido com o tipo de som que a gente gosta, e depois da capa que ele fez pra gente no primeiro disco, a gente jamais questionou a ideia de chamá-lo de novo. Mesma coisa com o Victor Rice, que fez a mixagem. Há várias outras pessoas que são envolvidas com a gente e foram fundamentais para esse disco, mas na hora de gravar éramos apenas os 10 no estúdio.
Bixiga 70 (2013) - encarte (frente)

BF: Lendo artigos desde o lançamento, e ouvindo tanto o segundo como o primeiro disco, todos exaltam, e é perceptível no segundo, maiores referências de ritmos e timbres. (Achei-o muito mais psicodélico que o primeiro). Que diferenças vocês notaram enquanto produziam e depois de gravado de um álbum pro outro?
B70: Tem diferenças que decorrem do processo evolutivo natural tanto dos músicos individualmente como nosso como banda, de tocar mais tempo junto, e principalmente de trocar mais referências e experiências. Mas a principal diferença que a gente queria imprimir nesse trabalho era levar a energia que a gente conseguiu chegar no palco para o disco. A gente é uma banda de palco, de tocar pra galera dançar. Queríamos muito levar isso pro disco.

BF: No primeiro disco vocês fizeram um versão de “Desengano da Vida” do Pedro Santos e nesse, “Deixa a Gira, Girá” dos Tincoãs, além de tocarem ao vivo “A Morte do Vaqueiro” do Luiz Gonzaga. Como vocês escolheram essas músicas, e perceberam que “dava caldo” pra vocês; e no caso das gravadas, como foi o processo de direitos autorais? (“Deixa a Gira, Girá”, é de domínio público, se não estou enganado)
B70: “Deixa a Gira Girá” é domínio público, mas nós nos inspiramos muito no arranjo dos Tincoãs. Por isso fizemos questão de entrar em contato como Mateus Aleluia, pedir autorização e pagar os direitos, tudo na maior humildade e correção possível. Com o Pedro Santos foi a mesma coisa, mas como ele já não está mais aí, ficamos muito felizes de poder ter conhecido a filha dele, que é super envolvida com o legado do pai, e que abençoou nossa versão.
São músicas e artistas que frequentam nossos encontros desde que os primeiros músicos começaram a se juntar para montar a banda, então sempre foram escolhas fáceis para a gente. E Luiz Gonzaga é um dos maiores artistas do mundo de todos os tempos. A gente levantou esse som para homenageá-lo quando tocamos na Virada Cultural de 2012, porque era o ano do centenário dele. Daí não deu mais pra tirar do show.
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BF: Deixando um pouco de lado o disco, contem sobre a experiência de fazer os projetos “Gil 70”, e “Saltimbancos”. Curtiram o resultado? Acham que esses dois trabalhos influenciaram na produção do segundo disco?
B70: Gil 70 nasceu de uma ideia do Lucas Santtana, que é um artista que a gente sempre admirou e virou um grande irmão de som nosso. Os Saltimbancos vieram a partir de uma ideia da Beth Moura, que é nossa produtora, e envolveu também grandes artistas (Anelis (Assumpação), Alzira E., Mauricio Pereira, Skowa e Andrea Bassit).
Curtimos muito o resultado, e acho que foram projetos importantes para desenvolvermos mais entrosamento na hora de levantar os arranjos, e aos poucos fomos ousando mais tambem.

BF: Vocês lançaram o disco em três formatos: mp3, cd e vinil. Qual funciona melhor? O download em que as pessoas contribuem, funciona?
B70: Tudo funciona e tudo isso é necessário. O download está disponível gratuitamente em nosso site (como no primeiro disco), disco completo em alta qualidade, com capa, encarte, ficha técnica, etc.
Acreditamos nisso, e com a atual fragmentação de mídia, a ideia é ter o maior número de pessoas conhecendo o trabalho. Para isso o download é fundamental. Acho que hoje funciona assim: a pessoa conhece pela internet, se gosta vai ao show. E se gosta do show compra o disco (vinil ou cd). A gente mesmo é adepto do vinil.

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